domingo, 31 de julho de 2016

ORAÇÃO E SEUS MÉTODOS por PAUL SEDIR

                              Oração e seus métodos por Paul Sedir

Aquele que ora seriamente, profundamente, é como um soldado no front de batalha, como um nadador se debatendo entre as ervas traiçoeiras. A inteligência pode se esvair; o corpo pode desfalecer de terror ou de fadiga; mas não é o lugar de esmorecer; já que o centro do espírito permanece ancorado no Céu; com esta demarcação e inclinação, nada de irremediável se produzirá.
Ser bem orientado, viver em paz e ser agradecido, eis portanto os três hábitos que preparam as forças interiores para a Oração.

Para direcionar estas forças em feixes, retesa o arco místico e faça tocar ao Céu as flechas do desejo; é preciso ainda ser atento, humilde, confiante, perseverante.
A falta de atenção é uma falta de fervor. Ser atento, é vontade; e é impossível desejar sem amar. Na verdade o Amor é a chave de todas as portas.

Para lutar contra as distrações , ore em voz alta. Se teu coração é seco, ore meditando, i. e., refletindo com tua razão lógica sobre cada palavra pronunciada, pesando e examinando lentamente.
Quando oramos, várias criaturas visíveis e invisíveis nos observam, nos escutam e se apresentam na porta do templo que é nosso coração; muitas somente percebem Deus pelas imagens contidas neste coração. Para estes irmãos atrasados, é útil que as palavras sejam ditas em voz alta e é uma maneira de conceder à nossa prece um corpo terrestre.



Malgrado este conselho de orar em voz alta, não acreditamos que as repercussões deste som no imponderável sirvam para grande coisa (...) pois é o sentimento que lhe fornece esta força e não a vociferação. É unicamente a sinceridade que torna a prece válida.
Podemos tomar, ao longo do dia, algumas precauções para desenvolver o poder de atenção. Abster-se de palavras inúteis, repelir pesadelos e, acima de tudo, se corrigir dos seus defeitos. Tornar santo; estas duas palavras contêm o segredo de todos os desenvolvimentos morais, espirituais e mesmo intelectuais; mas, infelizmente ! Acredito que a receita não seja tão simples; o misterioso possui tantos atrativos !

É suficiente descartar as distrações com grande e prudente calma, sem desistir; se três horas correm antes de pode dizer convenientemente o Pater , estas terão sido três horas muito bem empregadas; nenhum esforço se perde. A Prece pode ser penosa, sem gosto, aborrecida; e teria, assim, ainda mais mérito.

Traduzido de Paul, Sedir: “Lês Forces Mystiques et la Conduite de la Vie”, Paris, Amitiés
Spirituelles, 1977 , págs 80 e 81.





                                     Métodos de Oração de Paul Sedir:

1. Recolhimento interno.
2. escolher a posição: em pé, joelhos ou prosternado, conforme sua inclinação.
3. Dizer a Deus que está se colocando em Sua presença.
4. Esquecer as preocupações. Criar em si a humildade, depois a confiança, depois a calma.
5. Aquecer o coração recapitulando rapidamente todos os benefícios do Pai para com o mundo, - para o gênero humano, para si-mesmo. Tudo que Jesus fez por nós, - para o gênero humano, - para a criação.
6. expressar o desejo de colaborar com a Obra Divina.
7. Se humilhar profundamente.
8. Se oferecer a Deus desde a medula dos ossos ao cume do espírito, com todo seu coração e se possível até as lagrimas.
9. Perdoar do fundo do coração, do fundo da inteligência e mesmo do fundo da vitalidade corporal a todo ser e a todas as coisas.
10. Recitar a Oração dominical (Pai Nosso) com todo o fogo e toda atenção possível, sem procurar sensações psíquicas, na nudez obscura da fé.
11. Persistir até chegar a prece sem distração.
12. Tomar resoluções precisas.




Antes de um trabalho particular:

1. Recolhimento interno se colocando em calma, confiança e humildade.
2. Deus me ver, Jesus esta ao meu lado.
3. Se desculpar das faltas, em bloco.
4. Se arrepender com dor.
5. Se oferecer a Deus.
6. Lhe pedir ajuda.
7. Esquecer um estante tudo que sabe e deixar vir a inspiração.
8. Iniciar o trabalho.
9. Rever, examinar e corrigir o fruto do trabalho..
10. Agradecer ao Cristo.

Exame de Consciência

1. Agradecer a Deus por tudo dado ao longo do dia, em prazer e em penas/dor.
2. Pedir a lembrança das faltas e O Arrependimento.
3. Recapitular o dia hora à hora.
4. Procurar aquilo que me desagrada nos outros e me convencer de que possuo o mesmo defeito.
5. Observar minha ingratidão, minha traição, minha semelhança com Judas.
6. Arrependimento até as lágrimas.
7. Resoluções precisas e especiais formuladas para o dia seguinte.
8. Se ter com um puro nada e pedir o socorro de Deus.

No curso da Vida:

Manter-se na maior simplicidade e nudez interior. Nada de restrição e rigidez da vontade. Manter-se um com o céu, guardar a sensação viva da Presença Divina, viver com liberdade, paz, confiança amorosa.

Traduzido de Paul, Sedir: “Lettres Mystiques”, Paris, Amitiés Spirituelles, 1987, págs 41 à 44.(Comunidade no orkut dos Amities.





quinta-feira, 21 de julho de 2016

FOTO KIRLIAN DE UM MÉDIUM

Apresentamos um texto final para reflexão dos Iniciados e dos médiuns, descrevendo os efeitos da mediunidade no próprio médium, através de uma foto kirlian. Naturalmente esta foto não pretende ser a verdade absoluta e definitiva sobre o tema, mas um exemplo para contribuir para os estudos do tema. Nosso objetivo não é provocar polêmicas, mas ajudar no entendimento dos motivos do martinismo, e demais Ordens iniciáticas, não aprovar ou recomendar as práticas espíritas mediúnicas. (Pseudo-Sedir)

                                              Foto Kirlian de um médium

                            Um caso real tomado em um terreiro de umbanda

CASO 1
                     
CASO 2
CASO 3
CASO 4

           Durante uma Sessão de Umbanda, em Brasília, uma moça “incorporou” uma “Pombagira”, a entidade espiritual que é responsável pela sexualidade feminina. Pessoalmente, tirei uma série de Fotos Kirlian antes, durante e depois do E.A.C. e o resultado de toda essa experimentação, em Fotos Kirlian, será mostrado abaixo.

As diversas etapas pelas quais passou uma Agente Paranormal, num Terreiro de Umbanda, ao “incorporar”uma “Pombagira” :


1. Em estado normal, antes do EAC (transe).

2. Início do EAC (transe).

3. Completamente em transe (“incorporando” a “Pombagira”) quando ingeriu 2 garrafas de cachaça e fumou alguns charutos.

4. Em estado normal, após 2 horas em transe. Observar o cansaço e o estresse e comparar com a Foto Kirlian 1


*** Prancha retirada do site: www.kirlian.com.br





























segunda-feira, 18 de julho de 2016

OS PERIGOS DA MEDIUNIDADE

Apresentamos outro texto para reflexão dos Iniciados e dos médiuns, descrevendo os efeitos da mediunidade no próprio médium. Naturalmente este texto não pretende ser a verdade absoluta e definitiva sobre o tema. Nosso objetivo não é provocar polêmicas, mas contribuir para o entendimento dos motivos do martinismo, e demais Ordens iniciáticas, não aprovar ou recomendar as práticas espíritas mediúnicas. (Pseudo-Sedir).

                                Os Perigos da Mediunidade

                                                       por Sinbuck, S::I::

    
O “Médium (do latim médium, meio, intermediário). Os Médiuns são pessoas acessíveis à influência dos Espíritos, e mais ou menos dotadas da faculdade de receber e de transmitir suas comunicações.” O Médium espírita é um intermediário entre os seres encarnados e desencarnados; é , geralmente, um instrumento passivo de influências estranhas e, portanto, exposto à influência de qualquer entidade astral que se ache em sua proximidade. O Médium, quando em “transe”, isto é, no estado semelhante ao sono hipnótico, fica inconsciente; nada sabe do que se faz por mediação do seu organismo, e quando desperta desse estado e volta à consciência ordinária, não se lembra do que fez ou do que foi feito por intermédio dele. Há, portanto, muitas vezes uma possibilidade de ser abusado por entidades mal intencionadas do astral, e por isso corre o perigo de ficar obcecado.[1]

         Um dos perigos reais da mediunidade é a obsessão (idéia fixa, escravização temporária do pensamento). Como obsessão entende-se todo e qualquer constrangimento que os Espíritos inferiores determinam sobre o médium dominando a sua vontade. Todos os que possuem faculdade mediúnica, sem exceção, estão sujeitos a obsessão, devendo, no entanto, resistir a influência negativa dos Espíritos voltados ao mal. Geralmente, nos médiuns em desenvolvimento, a obsessão começa sob a forma simples, usando os obsessores de vários artifícios para conseguirem o seu intento. Pode evoluir para a fascinação[2] quando o médium acha que é assistido por Espíritos Superiores, que na verdade não passam de mistificadores, que sabem explorar sua vaidade, lisonjeando suas faculdades e colocando-o como um “missionário”; com importante papel no mundo.  A evolução pode seguir seu curso normal chegando o médium ao estágio da subjugação[3] quando o obsessor domina completamente, tanto sua inteligência quanto sua vontade. Os Espíritos agem sobre o médium através dos pensamentos, envolvendo-o com os seus fluidos que o embaraçam. É um verdadeiro processo de enredamento fluídico.[4] 




         A presença física do obsessor nem sempre é verificada, porém a sua ação é notada pelos resultados de sua influência sobre a mente do médium que está sujeito. À distância, por um fenômeno telepático, pode o obsessor acionar os mecanismos que deseja como um operador de rádio. É lógico que para isso acontecer, devem os dois, médium e obsessor, estar vinculados pelo passado ou por se encontrarem na mesma faixa vibratória, que os identifica. [5]

         A prática mediunica pode também conduzir os médiuns à neurastenia. A Neuroastenia é um estado neurótico, um distúrbio mental caracterizado por astenia[6] psíquica, grande irritabilidade, cefaléia, alterações do sono, esgotamento nervoso, depressão e fácil fatigabilidade[7], e ainda é capaz de causar graves neuropatias orgânicas, e muitos têm morrido loucos ou foram tocados por transtornos nervosos profundos e descontroles psíquicos. Em alguns casos, o descontrole psíquico pode levar o indivíduo à loucura. Se o Espírito envolvido num processo obsessivo for uma entidade hipócrita, poderá levar o médium obsediado a um processo de fascinação, que pode culminar na loucura.



         A mediunidade abre as “portas” do médium às influências estranhas. No corpo humano, há certos centros vitais (chakras), comparáveis a portas, que abrem a entrada para as forças extra-físicas que passam por elas como uma corrente elétrica passa através de um arame, agindo sobre a espinha dorsal, e difundindo-se sobre o sistema nervoso. Estes centros são normalmente protegidos pela natureza, com coberturas ou envolturas compostas de matéria física e de matéria astral, que permitem o influxo das forças vitais normais, e servem-lhe de guardas. Estes centros ou “portas” devem ser abertos somente às influências boas, espiritualizadas, e não às entidades indesejáveis, baixas e maliciosas, que são capazes de destruir as envolturas protetoras, tornando, assim, impossível à comunicação com os planos superiores do Astral.[8] Pois, como poderiam os médiuns evitar a intervenção e a ação de Espíritos e de influências malfazejas ?




         Todavia, alguns espíritas eminentes confessam, eles próprios, estes perigos, ainda que busquem atenuá-los. Eis aqui concretamente o que diz Leon Denis: “os espíritos inferiores, incapazes de aspirações elevadas, se comprazem em nossa atmosfera. Se mesclam em nossa vida, e, preocupados unicamente com o que o cativava seu pensamento durante sua existência corporal, participam nos prazeres ou nos trabalhos dos homens a que se sentem unidos por analogias de caráter ou de hábitos. As vezes, inclusive, dominam e subjugam as pessoas débeis que não sabem resistir a sua influência. Em alguns casos, podendo levar suas vítimas até o crime e a loucura. Estes casos de obsessão são mais comuns do que se pensa.[9]. Alguns médiuns, quando estão em atividade mediúnica, podem apresentar alterações neurológicas semelhantes a disritmias[10]. Tais práticas são capazes de modificar a atividade do sistema nervoso, trazendo mudanças psíquicas e comportamentais. O que acontece é que, mesmo os melhores, os mais poderosos Médiuns, muitas vezes sofrem durante anos, terríveis enfermidades na espinha dorsal, conseqüência de suas relações com “Espíritos”. Pois como se sabe, a mediunidade é um canal que liga todas as criaturas vivas ao mundo invisível ou dos Espíritos, deixando-os assim, suscetíveis as mais variadas enfermidades nervosas e psíquicas. Pois, abre canais para a recepção de influências suscetíveis de perturbarem e de comprometerem a atividade das células nervosas, visto que, a saúde física, emocional e mental de qualquer pessoa está ligada, de alguma forma, à saúde das células nervosas.

         Noutra obra, do mesmo autor, lemos isto: “ O médium é um ser neurótico, sensível, impressionável... A ação fluídica prolongada dos espíritos inferiores pode ser-lhe funesta, arruinar sua saúde, provocando fenômenos de obsessão e de possessão... Estas enfermidades, que afetam principalmente o sistema nervoso, vêm acompanhados mais freqüentemente de perturbações psíquicas. Enfim, podem também vir acompanhados, além das obsessões de caráter variado, de idéias fixas, de impulsos criminais, de dissociações e alterações da consciência ou da memória, manias, loucura em todos os graus. Em suma, tudo isso, tende pura e simplesmente à desagregação da individualidade humana, alcançando às vezes, como vimos, diferentes formas de desequilíbrio mental e psíquico[11]São registrados os seguintes transtornos neuróticos : fóbico-ansiosos, transtornos de ansiedade, obsessivo-compulsivos, reações de estresse e transtornos de ajustamento, transtornos dissociativos,  e outros, onde se incluem neurastenia e despersonalização.[12]

        Bem entendido, devemos lembrar que, o que é Ativo age sobre o que é Passivo e utiliza até a sua força. Ao abandonar-se passivamente a tais práticas, suscetíveis a influência dos mais variados espíritos, acaba o indivíduo por “entregar ao desconhecido tenebroso a direção de seu pensamento e tornam-se o que é horrível e inteiramente contrário à ordem natural – alienados voluntários,”[13] que os torna rigorosamente incompatíveis com a via de uma iniciação real e efetiva.






[1] Lorenz, Francisco Waldomiro. Raios de Luz Espiritual, Pensamento, pág 14.
[2] É  uma ilusão produzida pela ação direta do Mau Espírito sobre o pensamento do Médium, inspirando-lhe uma confiança cega.
[3] É  uma constrição que paraliza a vontade do médium, capaz de neutralizar seu livre-arbítrio.
[4] Peralva,  Martins. Estudando a Mediunidade; FEB. 
[5] Peralva, Martins. op.cit.
[6] Falta de vitalidade e perda de energia em conseqüência de um estado de fraqueza geral.
[7] Guimarães, Deocleciano Torrieri (org).Dicionário de Termos Médicos e de Enfermagem, ed. Rideel.
[8] Lorenz, Francisco Waldomiro, op. cit.  pág 83.
[9] Après la mort, p. 239. Citado por René Guenón, El Error Espiritista, 1923.
[10] Presença de ondas anormais, geralmente detectáveis pelo eletroencefalograma.
[11] Ver René Guenón, El Error Espiritista, 1923.
[12] Guimarães, Deocleciano Torrieri (org).Dicionário de Termos Médicos e de Enfermagem, ed. Rideel.
[13] Levi, Eliphas. A Ciencia dos Espíritos, pág. 144.

domingo, 17 de julho de 2016

MEDIUNIDADE E INICIAÇÃO


Um pequeno texto para reflexão dos Iniciados e dos médiuns. Seu objetivo não é provocar polêmicas, mas contribuir para o entendimento dos motivos do martinismo, e demais Ordens iniciáticas, não aprovar ou recomendar as práticas espíritas mediúnicas. (Pseudo-Sedir).

Mediunidade e iniciação**

 ZIVAN ‑ A mediunidade é um ramo de iniciação?

PAI VELHO ‑ Mediunidade não é ramo de iniciação; pelo contrário, elas são incompatíveis. Quem nasce médium já traz, por efeito do Karma, um rompimento congênito em sua tela que possibilitará, através dessa provação, contatos com os mundos supra-físicos e as entidades que nele habitam.

Suponha que numa encarnação passada você teve pode­res naturais, inatos, inerentes à sua própria constituição, os quais lhe deram não só consciência dos mundos supra-físicos, mas, também, poderes mágicos para atuar livremente nos ele­mentos, elementais, elementares e todos os reinos da natureza. Você seria um puro, teria todos os veículos superiores plenamente desenvolvidos e todos os chacras em perfeito funcionamento, seria clarividente, vidente, podendo se locomover em qualquer plano sem restrições. Nesse estado, estaria de posse da lei imutável, tendo plena acepção do bem e do mal. Suponhamos que, mesmo com todos esses conhecimentos, você usasse esses poderes naturais para uso próprio. Estaria, automaticamente, fazendo magia negra e contrariando a lei. Conforme você descambasse para essa prática acumularia Kar­ma, que atuaria no seu átomo primordial(1) etérico, ali se fixando definitivamente. Ao desencarnar, você levaria esse átomo primordial, bem como os dos outros planos. Encarnan­do novamente, já traria um rompimento na sua tela, consequência da última encarnação, gravado no átomo primordial etérico. Você resgataria o erro através da medunidade, fator probatório ou Kármico; através da evolução mediúnica poderia ou não fechar esse rompimento para, então, trilhar a próxima etapa do caminho, que é a iniciação consciente.

Assim aconteceu com as primeiras raças, inocentes, puras, semidivinas, que agiam segundo a lei. Ao usarem seus poderes de forma indevida criaram o Karma da mediunidade inconsciente e ao reencarnarem trouxeram essa “faculdade no­va", inédita na raça: médiuns. Dessa forma nasceu a mediunidade. Fazendo o melhor uso possível dessa faculdade, usando‑a exclusivamente em prol do amor e dos seus semelhantes, o médium pode se libertar desse Karma, começando uma nova etapa ‑ o caminho da iniciação.



ZIVAN ‑ O médium pode alcançar todos os graus de iniciação nessa encarnação?

PAI VELHO ‑ Não. Como já disse antes, a mediunidade e a iniciação são incompatíveis. Apenas o médium adiantado pode atingir os graus menores; a total iniciação somente na encarnação futura, e isso se ele levou a sua provação Kármica a bom termo, ou seja, não usufruindo nada em proveito próprio e sempre usando os seus poderes para fins que visem o bem geral da humanidade e o amor ao próximo.

Por esse motivo, o médium tem grandes responsabilidades em relação à sua evolução particular e à das entidades a ele ligadas por laços de afinidade. O médium pode ou não ser de grande utilidade na sociedade. Aquele que falha na sua missão mediúnica geralmente reencarna com provação mais espinhosa, de mais difícil resgate, mas todos se encaminham para o incêndio de luz e amor que é o Senhor do Mundo. A mediunidade pode ser o caminho mais longo para se encontrar a luz e o caminho mais curto para as trevas. Tudo depende do livre‑arbítrio de cada um. 

** Trechos retirados do livro: Roger Pierre Feraudy (Babajiananda) : Serões do Pai Velho, RS, Feeu, 1987, pp. 44 – 45.


 (1)   Átomo primordial é o átomo indestrutível, inerente a cada plano e que está presente em todas as encarnações.





sexta-feira, 6 de maio de 2016

LEIS QUE REGEM A VIDA

LEIS QUE REGEM A VIDA

         Por Swami  Sarvânanda (1922-2000) 


Quando a criança nasce, traz com ela, inscrito no seu akasha individual, um triângulo eqüilátero, cada um dos seus lados representando uma das leias que regem a vida, sua vida desde o nascimento até seu último suspiro. São elas:

                       PASSADO – PRESENTE – FUTURO

Ou seja, se transformadas em função, representam as três forças ativas que giram em torno de si mesmas de eterna ação, e que os yogues determinam como sendo as três divindades que permitem que haja vida no cosmos:

                                      BRAHMA – VISHNÚ – SHIVA


Que, respectivamente, representam as três fases da vida universal:

                   CRIAÇÃO  -   CONSERVAÇÃO –  TRANSFORMAÇÃO.

Em outros termos, e mais próximos a nós que pertencemos à civilização cristã ocidental, estas três forças de vida são sintetizadas no Triângulo acima citado:

                    Providência                               Destino-Karma

                                          Livre-Arbítrio

BRAHMA criou – e continua criando – desde o Passado até o Presente; representa pois o que vêm do Passado e que é inalterável, imutável poder do Pai em se perpetuar na sua própria criação: Karma.


VISHNÚ é quem conserva aquilo que Brahma criou, proporcionando o suporte da perpetuação da criação de Brahma, tornando a vida constante e polarizando-a em torno do  conceito do Presente; é o fato Providencial que permite que as coisas aconteçam.

SHIVA tem a missão de transformar o que Brahma criou e o que Vishnú conserva, levando aos olhos ilusos dos homens o conceito da Morte, preparando assim novo espaço para nova vida.

Ao nascer, a criança é a expressão do seu próprio passado;  traz um caráter original e único que se expressa fielmente nos traços faciais que apresenta e que o acompanharão até o fim de sua existência.

Ao ser gerado, seus genes individuais são acrescidos pelos dos seus pais, transformando assim sua personalidade em híbrida, o que também se grava indelevelmente no seu rosto.

Sua família, ao gerá-lo, constitui o fator Providencial, fornecendo-lhe um novo corpo, a proteção para crescer e se desenvolver, e o impulso para entrar na vida, quando maduro para isto.

Mas, também desde o momento em que o novo ser é gerado e nascido, ele expressa seu Livre Arbítrio ao exigir a alimentação, o cuidado e o aconchego familiar. Mais tarde e na medida em que ele se torna consciente de si estenderá este Livre Arbítrio às ações, às palavras e aos pensamentos, dentro de suas expressões de evolução particular, condicionado pela influencia familiar e influenciado pelo meio ambiente em qual está vivendo como filho, amigo, esposo, profissional.

Este Livre Arbítrio o ajuda a escolher com relativa espontaneidade, sua via de vida  sem sair do rumo marcado pelo Pai, junto com todos os que partiram com ele, em direção à Perfeição que é sua meta e a meta de todos.

Passado, Presente e Futuro são, pois, ao mesmo tempo os agentes do Karma, Livre Arbítrio, e Dharma, que constituem a real e eterna vida do Homem até  ele alcançar a sua Liberdade Transcendental  e que se expressará nele durante  a sua presença na Sexta Raça Humana que deverá habitar o Sexto Continente que deverá surgir do Pacífico.

Retirado da revista “ Nave” , N. 3, 1990, Niterói, RJ


Swami Sarvananda

sábado, 9 de abril de 2016

O PANTÁCULO E O LIS

                                                   O PANTÁCULO E O LIS

                            Dois Martinistas no Egito, D. P. Sémèlas e Eugène Dupré

                                                                   

                                                                                                    Por Christian Rebisse*

Entre as brilhantes personalidades que serviram a causa martinista, nos parece importante colocar em evidência o papel desempenhado por dois deles, Démetrius Platão Sémèlas e Eugéne Dupré que, a sua maneira, contribuíram para o estabelecimento do Martinismo.

Démetrius Platão Sémèlas é de origem grega, nascido em 1883 na Silivry, Turquia. Estudante de medicina na universidade de Atenas, apaixonou-se pelo ocultismo. Com alguns amigos estudou as ciências tradicionais sob a direção de um velho Mestre. Uma noite, em 1902, o Invisível o ordenou de ir ao monastério de Levadia sobre o monte Athos. Intrigado, nosso estudante tomou a estrada rumo a “Santa Montanha”. Chegando ao monastério, o Invisível o guiou através de várias criptas onde descobriu pergaminhos pertencentes à iniciados do passado, Templários e Rosa-Cruz.

Esta descoberta fez de Démetrius Platão Sémèlas o herdeiro dos Irmãos do Oriente, uma antiga Ordem que logo reorganizará. Entretanto , o jovem D. P. Sémèlas não se sentiu pronto para uma missão de tamanha magnitude e julgou necessário primeiro entrar em contato com os iniciados de seu tempo, afim de atestar sua missão. Não foi na Grécia, mas no Egito trabalhando como químico industrial, onde entrará no círculo secreto destes iniciados.

O Martinismo no Egito

O dossiê “Lojas” do fundos Papus, na biblioteca municipal de Lyon, contêm informações concernentes ao início do Martinismo no Egito (1). Seu estudo revela que o Martinismo parece ter sido implantado no final de 1892. Os primeiros Martinistas egípcios foram essencialmente estrangeiros, franceses em sua grande maioria. Auguste Souter, engenheiro de patrimônios do Estado em Sakha (baixo-Egito) entrou em contato com Sedir em novembro de 1892. Entretanto, em março de 1893, não havia ainda recebido a iniciação martinista mesmo estando já em posse dos diversos “cadernos martinistas” (2). As primeiras iniciações “egípcias” foram, provavelmente em Paris no início do ano de 1896. Um pequeno grupo veio se iniciar na Loja “Hermanibus”. Em 11 de janeiro de 1896, Jeannine Costet, escreveu agradecendo Sedir da acolhida que lhe foi reservada em Paris (3). 

Entre estes membros figuravam seu esposo Jean Costet, Houdaye, Boudry e Larriou. Estes poucos membros são provavelmente a origem da primeira Loja egípcia, como consta na ata da reunião do Supremo Conselho de março de 1897, quando menciona as atividades da Ordem no país. O “delegado geral” da O:: M:: no Egito era Démosthenes Verzato, um médico magnetizador, que dirigirá “Hermes”, a Loja-mãe para este país na Alexandria.

Esta é, em resumo, a situação quando D. P. Sémèlas chegou no Egito. É em janeiro de 1911, graças a Edouard Troula, um Martinista de passagem pelo Cairo, que vai entrar em contato com a O:: M::. Este último fez-lhe elogios da “Sociedade Martinista” dirigida por Papus e lhe recomendou entrar em contato com o célebre Ocultista. Em 12 de janeiro D. P. Sémèlas escreve à Gerard Encausse, para solicitar “a honra de ser recebido membro da Ordem” (4). A resposta de Papus não demorou e em 23 de janeiro, este lhe aconselha de entrar em contato com seu delegado no Egito, o irmão Verzato.

O Templo do Essênio

Rapidamente, Sémèlas entrou em contato com delegado geral e recebeu a iniciação Martinista. Como não existia Lojas no Cairo, solicitou à Papus a autorização de criar uma em sua vila, sob o nome de “Templo do Essênio no III” Papus aquiesceu ao seu pedido e lhe expediu uma carta com este objetivo (no 312). No Domingo de 28 de maio de 1911, a Loja “Templo do Essênio no III”, inicia suas atividades solenemente com uma cerimonia desenvolvida no interior da pirâmide de Kéfren. É o delegado geral, vindo de Alexandria com seis martinistas, quem presidirá a cerimonia de instalação. Em junho D. P. Sémèlas escreveu de novo à Papus para agradecer sua confiança (5). Informa-lhe, também, que já havia sido recebido nos três graus Martinistas e tomado como nome iniciático “Selaït-há” . Segundo D. P. Sémèlas, este nome teria sido “de um grande iniciado egípcio da época antiga sob o regime de Menkeisera ( Miquelinos) sobrinho de Kéfren da IVa dinastia” (6).

Eugène Dupré

O Templo do Essênio é para Selaï-há o palco de um encontro que não tardará em transformar sua existência. De fato, é lá que conhecerá o Sr e a Sra. Duplé, um casal de franceses instalados há pouco no Egito. Eugène Dupré trabalha como cartógrafo para o governo egípcio. Nascido em Paris em 1882, e desde sua juventude apaixonado por desenhos. Em Paris, freqüentou Utrillo, Picasso, Warnod e uma escola rosacrusiana de pintura. A esta paixão acrescentou a do esoterismo, que o levou a frequentar de 1901 à 1902 “A Universidade Hermética” de Papus. Embora tenha encontrado o célebre médico, não solicitou a iniciação martinista por se considerar ainda muito jovem. Apaixonado pelo Egito, instala-se no Cairo para continuar suas pesquisas egiptólogas. Neste local se interessa pelo islã místico e freqüenta os Sufis. Teve também a chance de torna-se amigo de um Brahamane que o ensinou as religiões orientais. Após algum tempo, entrou em contato com os martinistas do Egito e se fez iniciar no final do ano de 1910.Toma por nome iniciático “AdjAmr”. Sua esposa Marie, nascida Routchine, o segue no Martinismo e pede sua admissão a ordem. Em 9 de abril de 1911, Marie torna-se “Séilée”.

Foram os problemas causados por Démosthène Verzato que levaram D. P. Sémèlas a melhor conhecer os Dupré. De fato, Eugène que havia conhecido o Martinismo quando freqüentou a Escola Hermética em Paris, se surpreendeu, porque o Martinismo que praticado pelo Delegado Geral egípcio estava longe do visto em Paris. Realmente, o Delegado geral tinha modificado completamente os rituais Martinistas acrescentando-o elementos tirados de uma péssima franco-maçonaria americana. Eugène Dupré confiou a seu amigo que quando estava em Paris, achou que teria dificuldades para entrar no Martinismo devido aos exames exigidos...mas que surpresa quando descobriu que no Egito os graus se compravam! Os responsáveis pela Loja decidiram informar a Papus da situação. Eugène Dupré, secretário, endereça um relatório detalhado a Paris (7). O Grande Mestre reafirma sua total confiança em seu Delegado Geral, mas assinala que um Inspetor Geral da Ordem iria em breve ao Egito a trabalho e examinaria a situação de perto.


Georges Lagréze

De fato, o Inspetor Geral chegou no mês seguinte ao Cairo. Este inspetor é Georges Lagréze (Mikaël, no Martinismo), artista lírico, que veio para trabalhar alguns meses no Egito. Rapidamente, se simpatizou com D. P. Sémèlas em quem reconheceu um homem honorável. Confidenciou a Papus que Selaït-há fez “muito para a difusão da Ordem Mart:: e [que] é um iniciado de valor” (8). Infelizmente, o Inspetor Geral não pode mais que confirmar as denuncias de Dupré e fez seu relatório à Papus em 29 de outubro de 1911 (9).

Para acalmar as coisas, Lagréze pede à Papus de conceder ao Templo do Essênio sua independência administrativa da Loja “Hermes” . Esta Loja, instalada em Alexandria, sob a direção de D. Verzato coordenava as atividades martinistas para o conjunto do Egito. Esta solução foi aceita pelo Supremo Conselho quando de sua reunião em outubro de 1911 (10). Para evitar um drama, colocaram o Delegado Geral em “banho Maria”, isolando-o de maneira que pedisse a sua demissão. O Templo do Essênio poderia, graças à esta solução, continuar suas atividades no Egito de uma maneira mais serena.

Sob a direção de D. P. Sémèlas, a Loja funciona agora de uma maneira perfeita. D. P. Sémèlas proferiu numerosas conferencias sobre alquimia, psicurgia, magia e a teurgia. Alguns anos mais tarde, algumas destas conferencias serão publicados na revista “Eon” (11). Lagréze, que tinha muita estima por D. P. Sémèlas , pode em janeiro de 1912, dirigir à Papus um quadro otimista da situação da Ordem no Cairo:

“Desde a decisão do Supremo Conselho, a O:: M:: no Cairo, tomou uma nova extensão. Os membros da Ordem são atualmente em número de vinte e cinco contra doze de um mês e meio atrás. Ainda, o irmão Sémèlas e eu fizemos quatro iniciações entre os membros da colônia russa do Cairo, iniciações mantidas secretas [...] Deixarei o Cairo em 12 de março e gostaria de deixar aqui um representante do S:: C:: e pediria se fosse possível de enviar-me uma Carta de Inspetor Especial para o Egito ou para o Cairo ao irmão Eugéne Dupré S:: I:: e igualmente uma carta de honra por serviços prestados a Ordem ao irmão SelaÏt-há, Filósofo Desconhecido da Loja Templo do Essênio”(12). Papus voluntariamente aceita a proposta de seu Inspetor Geral e nossos dois martinistas recebem suas cartas de retorno. (no 340 e no 341, na data de 8 de fevereiro de 1912) (13).

Durante sua estadia no Egito, Lagréze freqüentou regularmente a Loja do Cairo. Destas suas visitas, restou um discurso pronunciado em uma reunião. Este foi publicada pela revista “L’Initiation” em abril de 1912. Para esta publicação, assinou com um pseudônimo que usava com freqüência, “Zagrel” anagrama de seu próprio nome.


A Rosa-Cruz do Oriente

É chegado o momento de D. P. Sémèlas revelar a missão recebida alguns anos antes na Grécia. Esta missão que visava continuar a obra empreendida pelos iniciados do passado, tinha como finalidade transmitir aos homens os princípios de uma via fraternal, de uma verdadeira “fraternidade” (sic). Esta tradição era a da Rosa-Cruz do Oriente. D. P. Sémèlas confia seus projetos a Lagréze. Antes que este último retornasse para França e para agradece-lo de ter colocado ordem no Martinismo do Egito, lhe é conferida a iniciação aos “Irmãos do Oriente”. Assim, G. Lagréze foi consagrado “Aspirante R.C.” A “lenda” de que este último tivesse transmitido por sua vez esta iniciação à Papus, é duvidosa, porque os arquivos que consultei com este objetivo não fazem nenhuma menção a este fato. (14).


Os rituais Martinistas

D. P. Sémèlas trabalhou muito pela Ordem. Desejava restaura-la em sua pureza inicial. Assim sentiu a necessidade de alargar seus trabalhos martinistas, já que os cadernos secretos da Ordem descreviam o simbolismo das iniciações, mas existia somente um único ritual para a abertura e o fechamento dos trabalhos nos três graus. O anuncio, no número de maio de 1911 da revista “Iniciação”, de uma subscrição para os novos rituais estabelecidos por Teder (15), o interessou em particular. Em junho de 1911, solicitou um exemplar (16). Entretanto, D. P. Sémèlas , guiado pelo invisível, compôs ele-mesmo rituais para os trabalhos dos 2o e 3o graus, e para as iniciações e a recepção de um Iniciador Livre (17). Seus rituais foram compostos no espírito dos estabelecido por Papus para o primeiro grau. 

Para diferenciar os trabalhos dos três graus, propôs nomear os trabalhos do primeiro grau “Loja”, os do segundo “Assembléias” e do terceiro “Conselho”. Selaït-há (D. P. Sémèlas ) envia seus rituais à Papus solicitando sua correção. Papus aprova os textos e lhe retorna as cópias com sua assinatura em maio de 1912. Estes rituais serão por sua vez utilizados por várias obediências martinistas, e é interessante de observar que são muito próximos dos adotados pela O:: M:: T::.

A Loja Memphis

O número de membros passa a quarenta e cinco. Tornando-se necessário criar uma Segunda Loja. Em 24 de março de 1912, a nova Loja abre suas portas sob a direção de G. Lagréze. Esta recebeu o nome de “Memphis” (18). O acontecimento é anunciado no mês seguinte na revista “L’Initiation”. Pouco depois, é Dupré quem toma a direção. O brilho do Martinismo egípcio não tinha limite. Um martinista que havia sido iniciado por Selït-há, se propôs de abrir em Londres uma filial do Templo do Essênio. Papus autorizou em 1913 esta criação colocando-a sob a dependência do Egito (carta no 399, em nome de John S.).


O Crisma

Diante da evolução das coisas D. P. Sémèlas confia seus projetos à Papus. Em uma carta confidencial, datada de 26 de abril de 1912, sonda o Grande Mestre questionando-o a propósito de um símbolo caro aos “Irmãos do Oriente”, o Crisma, que figura no cabeçalho das cartas martinistas. D. P. Sémèlas lhe confia ser portador ele-mesmo deste símbolo sobre seu peito há quatro anos. Este símbolo foi lhe confiado por seu Mestre e se Papus é um deles, desejaria falar-lhe “dos perfumes deliciosos emanados da Rosa e dos mistérios escondidos no selo da Cruz” (19).

Nós ignoramos a resposta de Papus, entretanto em uma carta seguinte, Sémèlas, o agradece por sua resposta que o interessou vivamente. Nesta carta, observa a analogia que constatou entre os seis braços do Crisma, e os seis pontos martinista e a estrela de seis braços do Pantaculo martinista. Esta carta é assinada “vosso irmão em (figura abaixo)” (20).Devemos compreender por esta que Papus teria respondido ao apelo misterioso de D. P. Sémèlas ?


O novo Delegado

No meio do ano de 1912, Démosthène Verzato, enfim pede demissão e Papus desejaria ver D. P. Sémèlas substitui-lo. Este último sabendo-se chamado à uma outra missão não pode aceitar sua proposta. Recomenda para este posto a condensa Olga Delebeden, uma Martinista que o próprio havia iniciado (21). Papus aceita, mas malgrado tudo lhe atribui uma carta de Delegado Especial e de Delegado Geral para o Egito (no 394 e 398).

Em novembro de 1913, D. P. Sémèlas anuncia à Papus que confiou a presidência dos trabalhos do grau Associado da Loja “Templo do Essênio” ao diretor da repartição técnica suíça do Cairo, Léon Charles Oltramare. A Loja conta agora com mais de quarenta e cinco membros. É perfeitamente enfeitada e decorada cor um véu vermelho ornado do Labarum. Anuncia igualmente a preparação de uma série de conferencias sobre a quiromancia (22). A O:: M:: se conduz maravilhosamente no Egito. Infelizmente, uma sombria nuvem se levanta no horizonte, a “Grande Guerra”. A última carta que D. P. Sémèlas expediu à Papus à partir do Cairo é relativa à uma misteriosa mensagem, sua “segunda comunicação à França”, que pede para faze-la chegar à Clemenceau. Anuncia igualmente que lhe expedirá proximamente um relatório sobre a ação dos R. + C. no Oriente e no Ocidente, “relatório que será útil à França política e oculta”(23).

O Lis e a Águia

A guerra estoura em 1914 e Dupré é mobilizado. Retorna à França para servir na companhia 20/28 do regimento do 1o Gênio em Versalhes. D. P. Sémèlas não tardou em juntar-se a ele na França. É um pouco antes de deixar o Egito que seus projetos iniciáticos se precisam. Desde alguns anos havia descoberto na esposa de Dupré seu alter ego. Todos dois são portadores de faculdades psíquicas pouco ordinárias e amam compartilhar suas experiências dos mundos invisíveis. D. P. Sémèlas lhe revela que segundo a tradição eoniana dos “Irmãos do Oriente”, ele encarna o princípio do “Déon” e que própria incarna o do “Déa”. Quando estiveram os dois na pirâmide de Kéfren, viveram juntos uma experiência particular marcada pelo encontro de um misterioso desconhecido, o Sheik S. (sic).

Esta experiência teve lugar por volta de 21 de fevereiro de 1914. Desta maneira nasceu o projeto de fundar a “Ordem do Lis e da Águia” criada de fato no início do ano de 1915. Contrariando ao admitido geralmente, não foi Déon quem fundou esta Ordem mas Déa, isto é Marie Dupré. Somente após a guerra, em 1918, e algum tempo após a morte de Déa, que a Ordem começou realmente a existir. Esta Ordem não visava essencialmente ao desenvolvimento pessoal de seus membros, mas tinham um ideal social. Sua finalidade seria de trabalhar pela realização de uma fraternidade universal, baseada sobre três princípios fundamentais: a Fraternidade, o Amor e a Reciprocidade.

Os Projetos com Papus

Em 1915, D. P. Sémèlas instalou-se em Paris. Finalmente encontrou-se com Papus e uma estima recíproca ligou rapidamente os dois homens. Em 1916, Papus tenta concluir um protocolo de acordo com o Rito Escocês Retificado (RER), herdeiro da Ordem fundada outrora por Jean-Batiste Willermoz, mas o projeto não avançava. A R.E.R. após seu adormecimento na França em 1841, foi reentroduzida (junho de 1910), por Camille Savoire, Eduard de Ribaucourt e o Dr. Bastard. Em setembro de 1916, Papus desejava encontrar um solo harmonioso com a R.E.R. e pede a D. P. Sémèlas para tomar em suas mãos as negociações. Com esta finalidade, concede-lhe uma carta de representação. Sémèlas se dedicou ao máximo á esta tarefa. Em 11 de setembro encontra o representante da R.E.R., Maxime Macaigne. A tarde mesmo, um almoço com Edouard de Ribaucourt permitiu colocar as coisas claramente (24) e em 25 de setembro, D. P. Sémèlas anunciava feliz à Papus o resultado positivo de suas negociações (25). Estavam decididos de criar no seio do Martinismo um Grande Capítulo unicamente composto de martinistas maçons de maneira a constituir um liame com a R.E.R (a guerra impediu a realização deste projeto).

Em 25 de setembro, D. P. Sémèlas é recebido na Ordem Cabalista da Rosa-Cruz. Papus lhe remete um diploma de Doutor em Cabala (no 49). A título excepcional, recebe esta distinção sem exame. Nesta época a OKRC estava moribunda. Segundo Eugène Dupré, Papus visaria, graças à Selaït-há, restaura-la segundo a tradição clássica Oriental. Uma colaboração entre a Ordem do Lis e da Águia e a O:: M:: foi mesma entrevista. Infelizmente, Papus faleceu em 25 de outubro de 1916 e as coisas permaneceram em estado de projeto. As querelas da sucessão após a morte de Papus impediram sua continuidade. Victor Blanchard será favorável ao projeto mas nesta época estava muito absorvido pela Ordem dos Polares ( L’Ordre des Polaires) para se ocupar com estas questões.


O G.I.E.M.

Após a guerra, numerosos Martinistas do Egito foram para a França e não desejando tomar partido nas querelas sucessórias entre Blanchard e Jean Bricaud, preferiram trabalhar entre eles enquanto esperavam as coisas se acalmarem. Assim nasceu na França o “Grupo independente de Estudos Martinistas” (GIEM). Devido estas circunstâncias D. P. Sémèlas reabre o “Capítulo I.N.R.I.” despojando-o de seus aspectos maçônicos para trabalhar o Martinismo em toda sua pureza. 

Entretanto, lhe dará uma coloração muito particular. Aos três graus martinistas, acrescentará o “Rito dos S::I::” . De fato, tinha a convicção que a Ordem misteriosa do qual Martines de Pasqually era apresentado como um dos sete chefes, seria a Ordem dos “Sete Soberanos Desconhecidos” , uma emanação da R+C do Oriente. Segundo D. P. Sémèlas, esta Ordem teria sido criada em 1054 por Photius, o Patriarca de Constantinopla e organizada em 1090 por Alexis Comnéne, um dos ancestrais fundadores da Ordem do Lis e da Águia.


Os S:: I::

Para D. P. Sémèlas, Saint-Martin por seu trabalho individual teria sido ele próprio levado para esta Ordem invisível cuja uma das características seria a de não ter nenhuma estrutura material ou administrativa. Retomando certas afirmações de Papus concernente ao misteriosos “Agente Desconhecido” que teria ditado seus ensinamentos a Saint-Martin (26), este sustentaria que Saint-Martin teria resgatado e vivificado a doutrina do Ordem dos Soberanos Desconhecidos em 1793. 

Esta opinião, por mais sedutora que possa ser, não repousa sobre nenhum elemento histórico, mas conheceu um certo sucesso entre os Martinistas. D. P. Sémèlas restaura os ritos dos Soberanos Desconhecidos (que constitua um aspecto particular da Ordem do Lis e da Águia), e o “rito dos S:: I::” , virá sobrepujar a hierarquia do GIEM. Este grupo permanecerá marginal e sobreviverá com muita dificuldade.

Eon

A partir de dezembro de 1920, Sémèlas inicia uma série de conferências em Paris onde a revista “o véu de Ísis” fará o eco. Em 1924 a Ordem do Lis e da Águia cria sua própria revista, “Eon”. Eugène Dupré, que era apaixonado pelos trabalhos de Saint-Martin consagrou uma longa série de artigos à propósito do “Tableau Naturel” (Quadro Natural), e para facilitar o estudo deste difícil texto, condensou o pensamento de Saint-Martin sob a forma de teoremas. Igualmente, tentou apresentar uma síntese sob a forma de desenho, à maneira dos arcanos do tarô (27). 

O Martinismo possuía um lugar preferencial na revista “Eon”. René Desmoiret, o secretário de Teder, escreveu igualmente alguns artigos. A morte de D. P. Sémèlas, em 6 de agosto de 1924, devido à uma tuberculose, interrompeu provisoriamente as atividades do GIEM. Eugène Dupré, que teria retornado ao Egito após a guerra, foi muito afetado por este desaparecimento que se soma ao de sua esposa Marie, falecida em 30 de janeiro de 1918. 

Em 1928, retorna definitivamente à França para repreender a direção da Ordem que havia se dispersado. Forma então um pequeno grupo de estudo de filosofia social e edita a revista “justiça e verdade” de 1931 à 1935. Este pequeno grupo não viverá longo tempo e somente as atividades da Ordem do Lis e da Águia sobreviverão nos locais instalados no Pré-Saint-Gervais.


A Chaboseau

Entretanto em 1931, ocorreu um acontecimento no Martinismo. Augustin Chaboseau, ajudado por alguns antigos colaboradores de Papus restauraram um Martinismo “tradicional”.

Eugène Dupré decidiu entrar em contato com a O:: M:: T::. Alguns anos mais tarde, uma colaboração estreita é visado entre o GIEM e a OMT, porque Dupré, desejando manter a particularidade de seu grupo, pensaria em coloca-la sob a obediência de Augustin Chaboseau. A partir de 1939 e durante uma parte da guerra de 1939-45, Dupré e Chaboseau encontraram-se várias vezes. Chaboseau se interessou de perto pela Ordem do Lis. Com Eugéne Dupré, um acordo de equivalência de graus é decidida entre as duas Ordens. O grau de S::I:: do Martinismo é fixado ao equivalente ao de “Comendador” da Ordem do Lis (4o grau). Os reencontros deram lugar a numerosas trocas. Jean Chaboseau estudou com atenção os escritos de D. P. Sémèlas e mais particularmente um estudo sobre o Tarot, cujos alguns elementos serão utilizados em seu livro sobre este tema (28). Dupré confia a Jean Chaboseau a intuição de D. P. Sémèlas concernente a origem das idéias de Martines e de Saint-Martin encontrarem-se na Ordem dos Soberanos Desconhecidos. 

Jean Chaboseau acaba seduzido pela hipótese. Infelizmente, ele a resumirá muito desastradamente em um pequeno texto que será publicado em 1946 no livro de Robert Ambelain (29). Transformando a Ordem dos “Soberanos Desconhecidos” em “Filósofos Desconhecidos” e estabelecendo uma filiação através da “Sociedade dos Filósofos Desconhecidos” do Cosmopolita, de Jacob Boehme e Rodolphe Salzmann dos quais, aparentemente, Sémèlas e Dupré não teriam falado. G. Lagréze, por sua vez, transmite esta versão à Ralph Maxwell Lewis que a transcreverá no “Rosicrucian Digest” em 1940 (30). 

Mais tarde, em 1955, no No 2 da revista “L’Initiation”, Jean Chaboseau emendará seu texto, em uma versão mais próxima daquela de D. P. Sémèlas que liga as origens do Martinismo ao Imperador Constantino. Esta lenda, tanto como a do “Agente Desconhecido” imaginado por Papus, terá infelizmente longa duração e até pouco tempo, muitos martinistas ainda lhe davam crédito (31).

A  F.U.D.O S.I

Os projetos comuns da OMT e da Ordem do Lis e da Águia permaneceram infelizmente sem aplicação pois as duas Ordens entraram “oficialmente” em inatividade devido as perseguições do governo de Vichy.

Eugéne Dupré desapareceu durante um bombardeio, em 12 de junho de 1944 em Epernon. Algum tempo mais tarde, foi Auguste Chaboseau quem faleceu em 2 de janeiro de 1946. Em fevereiro de 1936, a FUDOSI teria adotado os rituais de Selaït-há, como “rituais universais das lojas e círculos martinistas” (32). Dupré, apesar de solicitado, recusou participar das atividades da FUDOSI que julgava pouco séria. Portanto, após a guerra, quando de sua Convenção secreta de 22 de julho de 1946, a FUDOSI lhe rendeu homenagem, qualificando-o de um nome que jamais usou: “Sâr Lilium”.

Como podemos constatar, Démétrius Platão Sémèlas (Selaït-há, Déon) e Eugène Dupré (Adj’Amr) foram dois servidores devotados do Martinismo. Seu papel na evolução do Martinismo de 1912 à 1944 está longe de ser negligenciavel. Sem por isto subscrever todas suas inovações, devemos render homenagem a estes dois homens que permitiram o reencontro do Pentáculo e do Lis.
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***  Traduzido por Peseudo-Sedir da revista “Le Pantacle” No 4, janeiro de 1996.

Notas:

1) Os documentos sobre o Martinismo no Egito estão classificados no dossiê ms 5490-34, do “fundos Papus” da Biblioteca Municipal de Lyon. Durante este artigo esta referencia será assinalada pela abreviatura F. P.BML.

2) Carta de A Souter à Papus, F. P.BML., ms 5490-34-1 e 5490-34-2.

3) Carta de J. Costet, F. P.BML. 5490-33-6.

4) Carta de Sémèlas à Papus, F. P.BML. ms 5486-9.

5) “L’Initiation”, julho de 1911, p. 25, reproduz um discurso pronunciado por Selaït-há.

6) Carta de junho de 1911 à Papus, F. P.BML., ms 5486-9

7) Segundo este relatório (F. P.BML., ms 5486-9), D. Verzato pedia 78F para a iniciação ao 1o grau, 28F para o 2o e 3º . O certificado de iniciação seria vendido a 12F e todo documento que tivesse o selo da Loja-Mãe “Hermes” seria taxado em 3F ( a titulo de comparação, precisamos que a assinatura anual da revista “L’Initiation” custava nesta época 12F). N. do T. : hoje esta assinatura esta em torno de 250F.

8) Carta de Lagréze à Papus, F. P.BML., ms 5488-125.

9) Ver F. P.BML., ms 5488-125.

10) Ver carta de Papus de 14/10/1911, F. P.BML., ms 5488-125.

11) Ver “Eon”, 3-4 de julho-agosto de 1923; 7-8 de nov.-dez. de 1923; 9-11 de jan.-març. De 1924; 12-14 de abr. – jun. de 1924; 15-16 de jul.-ag. De 1924; 17-18 de set.-out. de 1924.

12) Os dirigentes de uma Loja na época de Papus recebiam o título de “Filósofo Desconhecido”, Ver a carta de Georges Lagréze, F. P.BML., ms 5488-125-1.

13) Sobre este ponto, ver a revista, “L’Initiation”, no 7 de abril de 1912.

14) Robert Ambelain julgará diversamente Sémèlas em suas obras. F. P.BML., Ver “Le Martinisme contemporain et ses véritables origenes”, pp. 13. Em “Les Templiers et les Rose-Crix, pp. 64 precisará: “antes de 1916, dois homens somente a possuíam na França, Lagréze, que recebeu no Cairo e Papus, à quem ele transmitiu [...], Ver também, “Le Sacramentaire des Rose-Crix”, pp. 16.

15) Anunciado na “L’Initiation” no 8, maio de 1911, p. 178. Apresentado como escrito segundo os “arquivos secretos da Ordem, os cadernos de Papus e as fórmulas ritualisticas de Sedir”, foram estabelecidas pelo Dr. Blitz, afastado da Ordem em 1902. Estes rituais muitos maçônicos foram recusados por vários martinistas, inclusive A Chaboseau.

16) Ver carta de Sémèlas à Papus de 14 de maio de 1912, F. P.BML., ms 5486-9.

17) Ver carta de Sémèlas à Papus de 14 de maio de 1912, F. P.BML., ms 5486-9.

18) “L’Initiation”, No 7 , abril de 1912.

19) Carta de 26 de abril de 1912, F. P.BML., ms 5486-9.

20) Carta não datada, F. P.BML., ms 5486-9.

21) Carta de 13 de junho de 1912, F. P.BML., ms 5489-9.

22) Carta de 1o de novembro de 1913, F. P.BML., ms 5486-9.

23) Carta de 13 agosto de 1914, F. P.BML., ms 5486-9.

24) Sémèlas recebeu em 7 de setembro de 1916, uma carta (No xsmls/23) assinada por Papus. Ver carta à Papus de 11 de setembro (?),F. P.BML., ms 5486-9.

25) Carta à Papus de 25 de setembro de 1916, F. P.BML., ms 5486-9.

26) Sobre este ponto ver “Pentáculo” No 1, “O Agente Incógnito”, AMORC.

27) Somente os teoremas 1 à 28, concernente aos sete primeiros capítulos foram publicados, ver “Eon” No 1 à 20.

28) “Le Tarot, essai d’interptétation selon les principes de l’hermétisme”, Paris, 1946, Niclaus.

29) “Le Martinisme”, pp 97 e 172-174. Este tema foi retomado em “Le Martinisme contemporain et ses véritables origenes”, pp. 9 à 13.

30) “Rosicrucian Digest”, fevereiro de 1940, vol. XVIII, No 1, pp. 27.

31) Sobre este tema ver o estudo de Robert Amadou “Le Philosophe Inconnu et les Philosophes inconnus”, les cahiers de la Tour de Saint-Jacques, No VII, 1961, pp. 65

32) Carta de Jean Mallinger à H. Spencer Lewis de 16/02/1936.