domingo, 21 de outubro de 2018

INICIAÇÃO MARTINISTA DURANTE A OCUPAÇÃO NAZISTA

 
      INICIAÇÃO MARTINISTA DURANTE A OCUPAÇÃO NAZISTA***
                                                          Por: Robert Ambelain

“Aqueles que se aproximam dos mistérios da Iniciação e aqueles que os ignoram, não terão, quando de sua estadia no mundo das sombras, o mesmo destino.” (Jamblicus)
  
“Irmão, irei lhe transmitir a Iniciação de acordo com nosso Mestre,Louis Claude de Saint Martin, tal como a recebi de meu Iniciador, o qual, do mesmo modo, a recebeu, da forma que vem sendo transmitida, desde o próprio Louis Claude de Saint Martin, há mais de 150 anos. Mas, primeiro, eu vos convido, tal como convido aos meus irmãos aqui presentes, a unir-se a mim na santificação deste quarto, para que este se torne, na dupla virtude da Palavra e do Verbo, o Templo Particular (do Latim particularis: Uma pequena parte) para a celebração desta Iniciação tradicional.”

 Dezembro de 1940, a neve cobre Paris.

Neste anoitecer, quando o pálido Sol se põe num avermelhado horizonte, alguns homens estão reunidos em um quarto no andar superior de um bloco de apartamentos no bairro latino. Trata-se de uma velha construção, do séc. XVIII, com uma monumental escadaria de madeira. Lá fora, nas ruas, quartos, cafés, em toda parte, o vitorioso Exército Alemão. Também, por toda parte, estão os agentes do Governo de Vichy. Os temidos policiais, em seu reino, saem à caça das Sociedades Secretas e dos Iluminados, encerrando as suas atividades e fazendo chover prisões sobre os fora-da-lei. Mas aqui é um outro mundo. Em uma mesa, coberta com uma tripla toalha, preta, branca e vermelha, simbolizando os Três Mundos, uma espada espalha o seu brilho sobre o Evangelho de São João. Por trás, sob a luz tremeluzente de três velas, dispostas em triângulo, parcialmente encoberta pela fumaça perfumada, a imprecisa silhueta do Iniciador, com o incensário nas mãos. Ele traça no espaço, em um gesto seguro, o Sinal misterioso. Mais adiante, queimando solitária, uma outra vela. Diante da base do seu castiçal, um cordão e uma máscara.

                                              


A Vela dos Mestres do Passado. No silêncio dos assistentes, em muda introspecção, a voz grave dá prosseguimento ao ritual, e as palavras do Sacramentário soam claras e puras, suplicantes, como uma ladainha. Elas estabelecem, através do espaço e do tempo, a “ponte” que deverá unir os vivos e os mortos. E parece que, de repente, a sala está povoada por Presenças Invisíveis. “Recebei, Senhor, de acordo com a promessa do Filósofo Desconhecido, nosso Mestre, a homenagem feita neste lugar, pelos vossos servos aqui presentes! Que possa esta Luz Misteriosa iluminar nossos espíritos e nossos corações, como previamente iluminou ao Trabalho de nossos Mestres! Possa este archote iluminar, com a sua luz brilhante, os Irmãos reunidos em Vosso nome. Que a presença dele possa indicar um vivo testemunho de sua União Delineada nos mínimos detalhes da cerimônia conduzida, em toda a sua magnitude.”

 O próprio tempo parece ter parado. Neste ponto, um dos assistentes posiciona a máscara, símbolo do Silêncio e Discrição, sobre a face do Iniciando. Um outro a veste com a Capa, símbolo da Prudência. E um terceiro ata o cordão, o qual remete à “Corrente de Fraternidade”. O Lento Rito Teúrgico continua. E, após a consagração do novo Irmão e a aposição de seu Nome Esotérico, as últimas palavras ressoam e a Cerimônia chega ao seu fim. “Possa você, meu irmão, justificar as palavras do Zohar: Os que possuem a Divina Sabedoria, brilham como faíscas dos Céus, mas aqueles que a transmitem a outros Homens, vão brilhar como Estrelas, por toda a Eternidade.” Diante da vela solitária, a imóvel Chama onde os Mestres do Passado permanecem em vigília constante, viram-se, o Iniciador e o Iniciado: “Irmãos, eu vos apresento N. “Superior Incógnito” de nossa Ordem e eu lhes peço que o aceitem entre nós.” Uma extraordinária agonia sufoca os corações de todos os assistentes.


                         Resultado de imagem para fogueiras de livros

No Oratório, onde a fumaça do incenso resseca suas gargantas, onde parece que toda vida se refugia nestas pequenas chamas, as quais altas e perpendiculares dançam, dançam, dançam, esta não é a vida que parece ser mais Real. E eles: Grandes Capas, Máscaras, faixas de seda branca, por trás do brilho fulgurante das espadas, alguém não acreditaria que eles vêem aquele dos Mortos. Mas, ao contrário, os mais Vivos são os Mortos da Ordem, os Mestres do passado, todos por perto. Ao Chamado da Palavra todos vieram. Apesar dos séculos eles aí estão, leais ao encontro mágico: Henry Kunrath, o autor de “O Anfiteatro da Eterna Sabedoria”, Seton o prestigioso “cosmopolita”, morto nos instrumentos de tortura do Eleitor da Baviera,  Jacob Boehme, o sapateiro iluminado, Robert Fludd, com a sua prodigiosa inteligência, morto no calabouço da Inquisição, Francis Bacon, o qual alguns acreditam que era o Grande Shakespeare, Martinez de Pasqually, o “mestre” que podia evocar os anjos, Claude de SaintMartin, o porta-voz do Filósofo Desconhecido, Willermoz, agente leal de seu mestre Martinez, e todos os outros cujos nomes me escapam e que, sendo nobres, grandes senhores ou pessoas comuns,sob o longo manto negro do peregrino, ou peruca coberta de pó, estiveram nos quatro cantos da velha Europa, durante o libertador séc. XVIII, vivendo para realizar o “Grande Desígnio” da Rosa+Cruz, o misterioso eco do “Mundo Perdido”.


Agora, dominando todas estas sombras, um outro se ergue, passando para o Oratório como uma grande respiração do plano Espiritual, a verdadeira alma das Fraternidades! Eis que tão misteriosa quanto inspiradora, inumana, mas divina, irreconhecível, mas iluminadora, aqui passa a sombra de Elias Artista. Quando a noite finalmente cai, Paris está envolta em um silencioso manto branco. Neva continuamente e o frio se torna cada vez mais intenso. Nas ruas, nos quartos, por toda parte o Exército Alemão, vitorioso. E também por toda parte, dúvidas e vigilância, questionamentos e fechamentos, fechamentos e prisões. Através dos séculos, em desconhecidas e violentas represálias, os reféns caíram, fuzilados. Em alguns meses dolorosos, os primeiros comboios partirão dos campos de concentração para os trabalhos forçados no fronte Leste, donde ninguém retornará. E, como no ensanguentado período da Idade Média, o terror reina sobre os Iluminados.

                                                  


Primeiro atacam às obediências Maçônicas, formadas por livres-pensadores ou ateus, unicamente ocupados com politicagem. Em seguida. às obediências espirituais, finalmente chegando às organizações ditas pára-maçônicas. A opinião pública já está acostumada. Retoma-se a batalha secular, interrompida por sessenta e nove anos de liberalismo ideológico. Porque por trás da Maçonaria e suas organizações aliadas há mais alguma coisa para se buscar. É algo que querem definitivamente desmontar e para sempre destruir, Heresia, a eterna inimiga. E, por detrás da Heresia, seu propagador secular, o Ocultismo! Finalmente! Eis a grande palavra fatal. Ninguém a grita dos telhados, não de imediato! Mas sobretudo existem seus arquivos, manuscritos, estudos históricos e doutrinários, os quais serão a vedete no curso das pesquisas. Mas em vão! E é isto que esta obra tentará demonstrar.

                       Resultado de imagem para assassinato de espiritualistas no nazismo

Em nosso livro, lançado na primavera do difícil ano de 1939 ,referente ao simbolismo das catedrais Góticas, nós escrevemos estas, inconscientemente, proféticas linhas: “Se o furacão materialista e negativista tiver sucesso em dominar o mundo; se os novos bárbaros devastando livrarias e museus, realizarem a profecia de Henri Heine, se o martelo de Thor destruir totalmente nossas velhas catedrais e sua maravilhosa mensagem nós ainda acreditamos que a Sabedoria Essencial estará segura. Uma vez que a tempestade houver passado, em um mundo que retornou à barbaridade, ainda poderão ser encontrados homens, suficientemente intuitivos para que possam sentir o mistério do infinito, aos quais, de forma paciente e devotada, caberá reacender a antiga lâmpada, próxima ao famoso manto púrpura onde os velhos deuses dormem. E, novamente, através da Grande Noite do espírito, a chama verde da Oculta Sabedoria irá guiar a humanidade ao seu Reino maravilhoso, brilhante e radiante, a “Cidade do Sol” dos filósofos e sábios. Que a Paz, Alegria e Caridade estejam em nossos corações e nossos lábios, agora e para sempre. Dezembro de 1940: A última frase do ritual dos “iniciados de Saint Martin” respondeu para nós!
                                                      
                                 



*** Texto recebido da internet, publicado em diversos blogs e sites. Tradutor desconhecido.


                                                                      

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A Tradição, segundo os Manuscritos Martinistas


A Tradição, segundo os Manuscritos Martinistas
Por Paul Sedir (1871-1926)

A única iniciação pura é aquela que começa em Phaleg e liga todos, desde os Raabts, até Jesus Cristo. Após o dilúvio, o verbo deixa a Noah o poder de evocar estes espíritos puros; mas este don era comum aos homens na época da Torre de Babel. Abrahão, Isaac, Jacob, José e seus irmãos possuíam estes poderes; Phoi, na China, possuía igualmente; e certos homens do norte da Europa os exerceram. Moisés recebeu de Jetro uma iniciação já alterada; depois retificada na sarça ardente, quando se conservou até o grande sacerdote Heli, que deixa entrar os Volong. David retoma a cadeia de Iniciação; seus Salmos são os meios pelos quais os Espíritos Puros são invocados. Neles encontramos todos os nomes dos Espíritos Denários. Salomão é a imagem do homem puro primitivo; Eliseu representa o  homem puro  em seu segundo  estado. Enfim Ezequiel e  Daniel conservaram estes  poderes no cativeiro.  Jesus, pontífice supremo, restabelece os Raabts no segundo Templo. Jésus-Cristo extraomos, aí está o nome Omeros!  Eis a Cadeia sem interrupção em suas mãos.

Seus onze apóstolos receberam a Iniciação perfeita, além dos sete Oronos ou sacramentos; mas eles nada deixaram escrito. Esta Iniciação se conservou na  Igreja  durante  mais de  seis séculos; A vida  monástica  no Egito,  foi, desde o início, o  refúgio da  Iniciação;  Antoine teve  plenos  poderes  sobre  os espíritos perversos; várias associações piedosas se formaram, entre  elas  a de Santo  Basílio; É de  lá que  saíram João Chrisóstomo  e Gregório Nazianzeno, redatores do manuscrito  que a  Pessome conservou. 
                                                          

João Chrisóstomo escreveu seus ritos em caracteres gregos e o monge Sosténes os leva para o Ocidente, embora já fosse conhecida a primeira iniciação, corrompida pelos Bárbaros. Estes ritos manuscritos, traduzidos na língua vulgar, se encontravam, parece, na Biblioteca Real, quando recebemos as informações analisadas neste momento. – A Loja Martinista, a qual pertencemos, possui também uma cópia dos manuscritos iniciáticos  que  um  Irmão encontrou em  Ratisbonna.

A Pessome se manifesta de diversas maneiras; Bento reencontrou um dos agentes em Mont-Cassin. Bernardo foi  um outro destes agentes;  foi este quem deu suas regras à  Loja dos Templários. A Maçonaria nasceu no séc. XIII, entre os Irlandeses, iniciados aos Raabts, e que oficializavam suas cerimônias nas celebres grutas de São Patrik. Eles deram nascimento à Loja escocesa de São João. De lá, os homens mais distintos se repartiram pela França e Alemanha, e muitos maçons, mal esclarecidos, peregrinaram inutilmente nas cruzadas.

Os “Irmãos hospitaleiros de São João”, formaram um centro puro de Iniciação, como os Templários, mas estes se deixaram seduzir pelos Volong, quando seu assassinato lhes impediu de tombar mais baixo ainda.

Francisco de Assis e Dominique foram igualmente encarregados pela Pessome de fazer retornar os povos à religião que haviam perdido; nascido por uma concepção pura, estes dois homens conheceram seus pastores. Inácio de Loiola, foi também eleito, e recebeu a comunicação integral das verdades iniciáticas; mas deu à sua Ordem regras que sujeitavam o homem em suas partes essenciais; eis porque sua Ordem tombou.

Para não alongar esta analise para outros caminhos, passamos, em silencio, toda a parte relativa ao esoterismo chinês, caldeu, helênico e americano. Estes não são menos curiosos e fecundos em ensinamentos. Possam os Raabts nos perdoar esta mutilação!!



         PS: Tradução Pseudo-Sedir.


sábado, 8 de julho de 2017

INICIAÇÃO, O REMÉDIO DA QUEDA


                               INICIAÇÃO, O REMÉDIO DA QUEDA **

                                                            Por Ary Ilha Xavier
 A história das origens conta-nos que o mal e a morte são uma consequência da queda do Homem Primitivo e que nós somos seus legítimos herdeiros. Por essa razão, não gozamos somente do acervo dessa herança, mas também de todas as consequências desse estranho legado.

Ora, se foi da queda do Homem Primitivo, do descenso do espiritual até o material, da Involução, que apareceu para o homem a necessidade, a limitação, a escravidão e todos seus efeitos, tais como o erro, o vício, a obscuridade e a morte, é necessário admitir que essa que da trouxe em si mesma, e potencialmente, o remédio capaz de reparar o mal. 

Se isso não fosse verdadeiro, o homem estaria condenado para sempre a uma morte eterna, isto é, sua queda seria eterna e ele estaria perdido para sempre. Mas, sabemos que isso não é assim. O Homem Original caiu, é verdade, mas é necessário antes de tudo atribuir a essa queda seu sentido real.

É necessário, ainda, admitir a priori a origem divina do homem e, por conseguinte, seu estado de pureza e perfeição anteriores à queda. Não seria necessário, para um exame apriorístico, que estudemos as razões determinantes dessa queda: basta admiti-la.

Esse homem primitivo, nós o sabemos, era unitário e múltiplo ao mesmo tempo, inteiramente equilibrado e perfeito. De sua unidade, entretanto, algumas partes desprenderam-se e foi exatamente essa "rebelião" que ocasionou seu desequilíbrio e sua fragmentação. Foi assim que desse corpo imenso e glorioso desprenderam-se um número quase infinito de células que se projetaram no espaço vazio da noite dos tempos.


Dessa maneira, o Homem Original fragmentou-se e, desde então, saindo de sua unidade original e eterna, ele modalizou-se, passando da unidade ao número, multiplicando-se através da noite dos tempos, distanciando-se cada vez mais de sua fonte e de sua pureza.

E o espírito, dardando na imensidão do espaço, como uma centelha que se desprende de um braseiro infinito, perdeu-se nesse caleidoscópio multiforme e desceu até a materialização. E, nessa descida, nessa involução progressiva, ele veio modalizando-se e vestindo-se pouco a pouco de matérias espargidas ao longo dessa trajetória imensa, para, ao longo de sua queda gigantesca, sentir-se animalizado e grotesco, sujeito à Roda Fatal do Destino inexorável das próprias "vestes" que escondiam a vergonha de sua culpa.

Foi, então, que o homem e sua companheira constataram que eles estavam nus, dizem as Santas Escrituras. Deve-se compreender, entretanto, esse nu no seu sentido verdadeiro, aquele que está escondido sob o véu desse símbolo. Com efeito, o homem antes de sua queda era um ser espiritual e expressava-se por seu corpo glorioso, irradiante de luz! Em razão da queda, ele foi revestido de um corpo material e, por conseguinte, tornar-se nu... de Luz! Eis que sobre ele desceu o véu espesso da materialidade.

Caído e corrompido, o homem adquire consciência de seu estado profundamente lamentável e triste, vindo em sua mente uma fraca reminiscência de seu estado primitivo. É essa pálida lembrança da Luz que o faz compreender as Trevas dentro das quais ele se encontra profundamente mergulhado. É aqui que a Evolução começa; e o homem, sentindo o peso de sua cruz, liberta um primeiro gemido! É o primeiro grito para sua liberdade!

Expia agora "oh! Divino Prometeu - como diria Eliphas Levi -, a glória efêmera das ilusões quiméricas, responsáveis de tua queda, tendo um abutre a devorar as tuas próprias entranhas".
Mas, esse homem já adquire consciência e, por essa razão, podemos acrescentar à sentença formidável do Mestre: ... "e que a dor dilacerante de tuas vísceras desperte, enfim, essa centelha que jaz adormecida e sem brilho no mais profundo de teu ser ... Então, rompendo os laços materiais que te acorrentaram depois de tua "rebelião", tu reencontres a consciência de ti mesmo e, olhando-te no espelho cristalino de tua própria alma, contemples a imagem negativa de teu ser! Tu verificarás, assim que teu Destino é a Liberdade, a emancipação, a Verdade e a Vida Eterna ..."


Eis que surgirá, então, do interior o Homem de Desejo, apto para a Iniciação ... Sim, a Iniciação é o remédio que estava contido na própria queda, visto que o homem não desceu só, mas arrastou consigo a própria Divindade ...



** Retirado do livro: Guaita, S. : No Umbral do Mistério, Grafosul, PA, 1979 (Coleção Hermética N. 1 - OM, Ramo Brasileiro). 

Ary Ilha (1932 - 1978)




sábado, 6 de maio de 2017

O MUNDO E SEUS TRÊS PLANOS por PAPUS

                                                   O MUNDO E SEUS TRÊS PLANOS **
                                                                      Papus

A Noção dos Planos

Quando lemos pela primeira vez livros de alguns escritores que se dedicaram ao estudo das forças invisíveis, experimentamos um sentimento de recusa, devido aos termos técnicos empregados nessas obras. Entretanto, prosseguindo neste tipo de leitura, comparando um autor com outro, logo se compreende esta linguagem especial, e se reconhece o significado dos termos como perispírito, energias meta- psíquicas, corpo astral, plano astral, forças karmicas manásicas, etc...

Entretanto há termos que é importante insistirmos, em especial, como a noção de plano.
Façamos em um vaso a seguinte experiência, colocando as substâncias:
a) mercúrio
b) água
c) azeite

Estas três substâncias não se misturam, fazendo com que no interior do recipiente se formem três camadas, estratos ou planos.

Suponhamos estas três camadas habitadas por seres vivos: vegetais, bactérias ou outras, teríamos:

_ Os habitantes do plano do mercúrio, em baixo;
_ Os habitantes do plano d’água no centro;
_ Por último, os habitantes do plano do azeite, em cima.

A totalidade destes seres e destas substâncias se encontra no mesmo vaso ou recipiente, e entretanto, não se comunicam uns com os outros; estão separados devido à diferença de densidade de cada um dos planos em que evoluem.

Igualmente, os ocultistas consideram a natureza dividida em três setores ou planos, correspondentes às imagens que acabamos de analisar.

Abaixo, está situado o plano material formado por tudo que é material e visível, tanto sobre a terra como em outros planetas; este é o plano dos corpos físicos e das forças físicas.

Acima ou arredor deste plano, existe o das forças vitais ou forças animadoras. A
vida que circula em nosso corpo é um exemplo desta força. Trata-se da vida, que segundo os ensinamentos da Antiga Ciência Egípcia, constituiria a força vital que existe em nós e que é a mesma energia que circula pelos astros. Devidos estes foram dados o nome de forças astrais às energias deste plano, denominado plano astral.

Mais acima, encontramos os planos das forças espirituais, da personalidade, da vontade que recusa ou aceita as provas, e finalmente, da totalidade das manifestações do espírito imortal, ligado diretamente ao plano divino.

Temos recorrido às expressões: acima, abaixo, no meio, simplesmente para a satisfação de nossos hábitos mentais.

Na realidade, os diversos planos, estão mesclados uns nos outros, se penetram sem se confundirem, como um raio de sol atravessa um cristal sem fazer-se solidário com ele, como o sangue circula pelo corpo encerrando-se constantemente nos vasos.
   



Não busque um lugar especial, um espaço físico onde estejam reunidos os mortos da terra. A tradição nos ensina que determinados seres ainda densos, de matéria, depois da morte, ficam confinados em cones de sombras, que cada planeta leva atrás de si através dos céus, entretanto isto é bastante excepcional. No geral, os nossos mortos estão no mesmo lugar conosco, mas em outro plano deste mesmo lugar, da mesma forma que o azeite e o mercúrio estão no mesmo vaso , e se mesclam ainda menos que os planos do visível e do invisível que, se penetram uns nos outros completamente.

Somente, por uma confusão lamentável, alguns autores tenham “alojados mortos” em um lugar qualquer do plano físico. Nossos mortos já foram situados no centro da terra, em outros planetas, inclusive em diversos Sóis. Lógico que tudo isto é possível, mas sempre no plano astral desses diferentes lugares, já que o plano físico está reservado aos corpos físicos materializados e encarnados.

Mas, é possível fazer um ser passar, momentaneamente, do plano invisível ou astral ao visível ou físico? Eis a grande questão das evocações, sobre as quais diremos algumas palavras, contudo devemos insistir um pouco sobre estas noções dos planos porque é necessário chegar a um conceito o mais claro possível.

A noção de plano possui, efetivamente, um papel considerável no estudo dos problemas psíquicos, e grandes confusões ou invenções ocorrem provenientes do desconhecimento da noção de planos.
Assim todo ser do plano físico, todo ser encarnado ou materializado só pode ser confinado em um cubo, ou melhor dito, em um corpo de três dimensões; em uma linguagem mais vulgar afirmamos que quando se deseja “prender” um vagabundo, devemos coloco-lo entre quatro paredes sólidas, com uma porta resistente, um teto a prova de fugas, e uma janela fechada. Caixa para conter moscas ou cela de prisão central, não é, outra coisa que cubos de três dimensões, necessárias para prender um ser do plano físico, seja uma mosca ou um criminoso.

Desejando prender um raio de sol ou um raio de um astro, meu cubo não servirá para nada; se for uma jaula o sol passará por suas grades, de uma cela de prisão, passará entre as grades ou os vidros, inclusive se estes forem muito densos, impedindo sua captura.




Mas, ao me servir de uma placa fotográfica, o raio de sol, ao decompor os sais de prata, fixar-se-á sobre a placa indicada com as imagens que estavam iluminadas.

Em uma superfície plana, um plano matemático basta para reter aqui um raio astral.

O ocultismo ensina que há uma série de seres especiais que circulam por todos os raios dos astros; estes seres não possuem corpos físicos, mas um corpo de raios luminosos chamado corpo astral. O plano em que vivem estes seres, denomina-se igualmente, plano astral.

Para prender estes seres, basta uma superfície plana formada pela reunião de duas ou três linhas.

Finalmente, se possuo uma idéia que não desejo comunicar a ninguém, guardo-a para mim, lapidada em um ponto de meu cérebro criando ali um diminuto ser espiritual, que servirá mais tarde aos meus caprichos.

Este ser espiritual pode, pelo emprego do verbo, estimular emotivamente o progresso de cem pontos cerebrais semelhantes ao meu ser diminuto. Ao ser colocada e conduzida sobre o carro verbal, a idéia multiplicou e revitalizou a si mesmo. Ali já não existe prisão possível, cubo ou plano não podem prende-la. Sua essência é a liberdade.

Estas são as características do plano espiritual, plano dos seres divinos do qual o nosso próprio espírito é uma chispa.



Para concluir, existe um plano físico com a totalidade dos seres físicos, envolto em um corpo físico e do qual o cubo, ou a construção em três dimensões é o necessário alojamento: Câmara, habitação ou calabouço (sempre um espaço em três dimensões).

Há também um plano astral com os seres astrais, envoltos em um corpo astral e do qual a superfície plana é o alojamento necessário (espaços de duas dimensões).

Por último, está o plano espiritual com espíritos envoltos de um corpo espiritual, e do qual o ponto matemático é o necessário alojamento (aqui o tempo e o espaço já não atuam mais).

Vejamos agora como podemos estudar, em seu plano respectivo, as forças físicas, astrais, e espirituais. Nos limitaremos a algumas idéias gerais que serão suficientes para o objetivo que temos proposto.

As forças nos três planos

As forças físicas são fáceis de estudar, pois atuam no mesmo plano em que nos encontramos atualmente.

Para estudá-las devemos começar pelas forças hidráulicas, com seus grossos órgãos, que vão desde a roda do moinho até a moderna condução da “hulha branca”.

Poderia-se estudar o vapor da água, que circula em sua delicada tubulação. Poderíamos, igualmente, descobrir a eletricidade circulando por seus fios metálicos.

Todos os citados são exemplos de modalidades da força física.

Em geral, esta força apresenta as seguintes características:
1) Necessidade de um condutor material.
2) Dinamismo em relação com a condensação e materialização da força.
3) Modificações produzidas sobre a matéria inerte pela ação das forças materiais.

O estudo de uma força astral pode prossegui-se seguindo as modalidades da luz, do sol, atuando sobre a terra.

Esta força está, em princípio, animada por uma velocidade de deslocamento considerável (mais de 200.000 km por segundo). Atravessando desta forma, imensos espaços com a maior rapidez.

Esta força se faz dinâmica somente se a condensamos por meio de uma resistência. Os espelhos permitirão obter calor efetivo, com o que se poderá também, por meio de condensadores especiais, transforma-la em eletricidade, mas normalmente, a luz do sol atravessa o vidro sem quebra-lo e indica desta maneira o caráter da força astral, que é de atravessar os condensados de energia material sem alterá-los.

Finalmente, como a força solar é a mesma que a força vital que circula na totalidade dos seres vivos, esta força solar é um poderoso reconstituinte fisiológico.

Tais são as características gerais de uma energia astral.

Não vamos discutir aqui a origem da energia real da luz solar; quer esta luz proceda diretamente do sol, como nos ensina a astronomia atual, ou seja ao contrário produzida na atmosfera de nosso planeta por emanação de força solar neutra que se transforma em luz, eletricidade ao contato de cada planeta, pouco importa. O que nos interessa atualmente é poder seguir a atividade de uma força astral em ação sobre a terra. O restante, os sábios existem para resolverem estas questões, de origem muito obscura e em todo caso tecnicamente bem especializadas, para serem abordadas em um estudo tão elementar como o nosso.

As forças do plano intelectual e espiritual são ainda pouco conhecidas de nossos contemporâneos. Os colégios iniciáticos da Antigüidade, determinadas sociedades misteriosas da Índia, do Islã, e também do Ocidente possuem sobre este assunto noções muito precisas.

As forças desse plano atuam para além do tempo e do espaço, se transmitem instantaneamente de um planeta ao outro, assim como de um ponto a outro muito distante sobre a superfície da terra.

Para poder manifestar-se, estas forças necessitam de um ponto de apoio material. Utilizam em geral os órgãos nervosos e o cérebro dos seres vivos.

É portanto um erro acreditar que as “correntes de vontade” possam atuar diretamente sobre os acontecimentos sociais.
As cadeias de luz física podem também se esforça para romper vidros materiais. A luz atravessa o vidro sem destruir nada, o pensamento atravessa os clichês astrais sem produzir uma influência direta.

É portanto muito importante evitar este erro da ação das forças espirituais sem um material útil.

Joana D’Arc, nada poderia ter feito sem um exército. Este exército realizou verdadeiros milagres a partir de sua constituição, mas era necessário, porque sobre o plano material somente se pode atuar dinamicamente através das próprias forças materiais.

Um ser humano que tenha passado ao plano espiritual, não possui nenhuma ação direta sobre a matéria. Pode atravessar os objetos como uma luz através de um vidro e terá de fazer uso de certas ferramentas especiais como a força vital de um médium humano, ou as resistências particulares como o cristal e a madeira, para por-se em contato com o plano material do qual está distante.




** Retirado e traduzido do livro de Papus: “Lo que les sucede a nuestros muertos”, Madrid, Luis Carcamo editor, 1978


sábado, 28 de janeiro de 2017

EGIPTOLOGIA E OCULTISMO

            EGIPTOLOGIA E OCULTISMO                                     
                                                       Por Papus**

Champollion e seus discípulos encontraram muitos adversários de seu sistema e, coisa curiosa, estes adversários eram sempre ocultistas. Isto se explica facilmente.

A escola de Champollion, formada de analistas, freqüentemente geniais, se encastelaram no estudo dos textos. Os egiptólogos negligenciaram as pesquisas auxiliares concernentes a astrologia e a magia que são indispensáveis à compreensão verdadeira dos textos egípcios.

Mas, sob a influência dos trabalhos de A Gayet e dos egiptólogos do museu Guimet, as duas escolas tendem à uma reconciliação esclarecedora. Outrora Goulianof e Briére, versados no esoterismo egípcio, se levantaram com veemência contra a infantilidade das traduções de Champollion.

Encontramos hoje nas obras de M. A Moret, conservador-adjunto do museu Guimet, uma série de estudos de primeira ordem sobre a magia dos egípcios e o livro dos mortos, assim como sobre os mistérios de Ísis.

Estes estudos, assim como as pesquisas de A Gayet (a adivinhação no antigo Egito), ainda mais próximos dos verdadeiros ensinamentos esotéricos, mostram o caminho aos egiptólogos de futuro.

Sem estudar a língua hieroglífica, o ocultista não tem como realizar pesquisas aprofundadas sobre o simbolismo.

Mas, sem estudar a astrologia, a magia e a alquimia, o Egiptólogo torna-se um cego para a tradução exata de uma série de textos ou, melhor, para a sua interpretação e compreensão.

Aqui, como para o estudo de Platão ou Homero, Apulei ou Virgílio, os conhecimentos tradicionais do hermetismo são indispensáveis.                 

Assim o grande segredo dos Mistérios de Ísis (ou de Prosérpina) seria o desdobramento consciente do "Duplo" durante a vida, com visita ao plano dos mortos e dos "Astros Deuses". Apuleio nos deixa entrever este mistério,  somente compreensível para "aqueles que sabem", segundo a linguagem hermética. Ora os egiptólogos, admiráveis sábios em certo sentido não são "aqueles que conhecem" os mistérios. O momento está próximo quando estas inteligências orientarão seus estudos para estes pontos ainda obscuros, e todo o mundo sairá ganhando com esta mudança de mentalidade.



Estaremos, de fato, neste momento, livres destes falsos egiptólogos que "inventam" os mistérios, como Boulage e outros, e semeiam nas almas crédulas uma série de erros bem difíceis de serem eliminados rapidamente.

Nós aguardamos com todos nossos votos o momento onde os homens de ciência como Gayet ou Moret dirigirão seus esforços para adaptar à suas pesquisas técnicas os ensinamentos gerais de ocultismo.

Estas pesquisas renderão, por outro lado, justiça aos ocultistas, mostrando que estes são muito mais do que tiradores de sorte ou quiromanceiros sectários. Não temos a intenção, dizendo isto, de rebaixar os seguidores do Bateleur (o mago) do Tarot: isto seria ridículo e ingrato. Mas este Bateleur é justamente um "Dwidja", um "Escriba de dupla vida", e nos gostaríamos de ver reconhecido pelo seu verdadeiro aspecto pelo pesquisador das Academias clássicas.


Eis porque daremos algumas analises das idéias dos adversários de Champollion e algumas idéias derivadas do estudo esotérico de egiptologia. Verão, deste modo, que procuramos fazer algo além de um resumo seco dos alfabetos da língua egípcia. 


** Retirado do livro : Papus: Primeiros Elementos da Língua Egípicia (Caracteres hieroglíficos). Erechim, AllPrint/Casa da Vida Khepri , 2016. Págs 41 - 43. (http://khepri.org.br). 


                           

domingo, 23 de outubro de 2016

PRECE CONTRA O CÂNCER, O LÚPUS E A ELEFANTÍASE



Prece contra o câncer, o lúpus e a elefantíase (1)


Senhor Jesus Cristo, Deus de nossa Salvação, que deste a missão aos Teus Apóstolos e por eles aos seus sucessores, de expulsar os Demônios e de trazer assim, ao Mundo primitivamente submisso a Satã, a equidade, a pureza e a bondade, nós Te suplicamos, pela virtude misteriosa de Teu Santíssimo Nome Ieshouah e pela virtude deste Salmo que o Espírito Santo inspirou a Davi Teu servidor, de dignar conceder às minhas palavras a mesma virtude misteriosa que Tu dignaste conceder àquelas de Davi. Exalta pois, ó Senhor Jesus, a demanda de Teu servidor N............. e que graças Te sejam rendidas pelos séculos dos séculos. Amém +

Iahweh, não me castigues com tua cólera,
Não me corrijas com teu furor.
Tuas flechas penetraram em mim,
sobre mim abateu-se Tua mão:
Nada está ileso em minha carne, sob Tua ira,
nada de são em meus ossos, após meu pecado.

Minhas faltas ultrapassam-me a cabeça,
como fardo pesado elas pesam sobre mim;
minhas chagas estão podres e supuram,
por causa da minha loucura.
Estou curvado, inteiramente prostrado,
ando o dia todo entristecido.

Meus rins ardem de febre,
nada está ileso em minha carne;
estou enfraquecido, completamente esmagado,
meu coração rosna, solto rugidos.

Senhor, à Tua frente está o meu desejo todo,
meu gemido não se esconde de Ti;
meu coração palpita, minha força me abandona,
a luz dos meus olhos já não habita comigo.

Amigos e companheiros se afastam da minha praga,
e meus vizinhos se mantêm à distancia;
preparam armadilhas os que buscam tirar-me a vida,
os que procuram minha ruína falam de crimes,
todo dia meditando em traições.

E eu, como surdo, não escuto,
como o mudo que não abre a boca.
Sou como o homem que não ouve
e não tem uma réplica na boca.

É por ti, Iahweh, que eu espero!
És tu quem responderá, Senhor meu Deus!
Eu disse: “Que não se riam de mim,
não triunfem sobre mim quando eu tropeço!”

Sim, estou a ponto de cair,
meu tormento está sempre à minha frente.
Sim, eu confesso a minha falta,
e temo pelo meu pecado.

Meus inimigos sem motivo são poderosos,
são muitos os que me odeiam sem motivo,
os que pagam o mal pelo bem,
e por eu procurar o bem me acusam.

Não me abandones, Iahweh,
meu Deus, não fiques longe de mim!
Vem socorrer-me depressa,
ó Senhor, minha salvação!
                   (Salmo 38)

Senhor Jesus Cristo, Deus de nossa Salvação, que deste a missão aos Teus Apóstolos e por eles aos seus sucessores, de expulsar os Demônios e de trazer assim, ao Mundo primitivamente submisso a Satã, a equidade, a pureza e a bondade, nós Te suplicamos, pela virtude misteriosa de Teu Santíssimo Nome Ieshouah e pela virtude deste Salmo que o Espírito Santo inspirou a Davi Teu servidor, de dignar conceder às minhas palavras a mesma virtude misteriosa que Tu dignaste conceder àquelas de Davi. Exalta pois, ó Senhor Jesus, a demanda de Teu servidor N............. e que graças Te sejam rendidas pelos séculos dos séculos. Amém +



1. Traduzido de: Ambelain: "Sacramentaire du Rose+Croix", Edicion Bussière, Paris, Páginas 110, 111 e 112. 

Obs: Salmo: Bíblia de Jerusalém.

Deva da Cura











domingo, 4 de setembro de 2016

A CADEIA DE UNIÃO: TÉCNICAS

                 A Cadeia de União


Se cravarmos um parafuso em uma tábua de madeira com uma chave de rosca, o parafuso se enterra; se desaparafusarmo-lo, ele sai, sobe.

Isto significa: Quando o giramos no sentido dos ponteiros de um relógio, enterrando a chave de rosca, é encarnado, ou seja, o movimento no sentido dos ponteiros de um relógio encarna a energia.

Quando, inversamente, circula ao contrário dos ponteiros de um relógio, produz-se um movimento de ascensão, de extração da matéria e de elevação.

Sabemos que nossa mão direita emite e que a esquerda recebe.

Fazendo um circulo e dando-se as mãos não-cruzadas ( cadeia longa), a energia circula no sentido inverso dos ponteiros de um relógio, isto é, ela é ascendente; quando oramos desta maneira, elevamos nossos corações para Deus. Elevemos nosso coração! Sursum corda!

Quando, agora, vamos fazer descer a energia espiritual em si, cruzamos os braços, como fazem os Martinistas, porque desta maneira invertemos a circulação das energias: Fazemos descer a energia do alto.
                                              
(Texto livremente extraído de uma conferencia sobre “Iniciação
 cristã: os mistérios da Missa” por Charles-Rafael Payeur)


domingo, 31 de julho de 2016

ORAÇÃO E SEUS MÉTODOS por PAUL SEDIR

                              Oração e seus métodos por Paul Sedir

Aquele que ora seriamente, profundamente, é como um soldado no front de batalha, como um nadador se debatendo entre as ervas traiçoeiras. A inteligência pode se esvair; o corpo pode desfalecer de terror ou de fadiga; mas não é o lugar de esmorecer; já que o centro do espírito permanece ancorado no Céu; com esta demarcação e inclinação, nada de irremediável se produzirá.
Ser bem orientado, viver em paz e ser agradecido, eis portanto os três hábitos que preparam as forças interiores para a Oração.

Para direcionar estas forças em feixes, retesa o arco místico e faça tocar ao Céu as flechas do desejo; é preciso ainda ser atento, humilde, confiante, perseverante.
A falta de atenção é uma falta de fervor. Ser atento, é vontade; e é impossível desejar sem amar. Na verdade o Amor é a chave de todas as portas.

Para lutar contra as distrações , ore em voz alta. Se teu coração é seco, ore meditando, i. e., refletindo com tua razão lógica sobre cada palavra pronunciada, pesando e examinando lentamente.
Quando oramos, várias criaturas visíveis e invisíveis nos observam, nos escutam e se apresentam na porta do templo que é nosso coração; muitas somente percebem Deus pelas imagens contidas neste coração. Para estes irmãos atrasados, é útil que as palavras sejam ditas em voz alta e é uma maneira de conceder à nossa prece um corpo terrestre.



Malgrado este conselho de orar em voz alta, não acreditamos que as repercussões deste som no imponderável sirvam para grande coisa (...) pois é o sentimento que lhe fornece esta força e não a vociferação. É unicamente a sinceridade que torna a prece válida.
Podemos tomar, ao longo do dia, algumas precauções para desenvolver o poder de atenção. Abster-se de palavras inúteis, repelir pesadelos e, acima de tudo, se corrigir dos seus defeitos. Tornar santo; estas duas palavras contêm o segredo de todos os desenvolvimentos morais, espirituais e mesmo intelectuais; mas, infelizmente ! Acredito que a receita não seja tão simples; o misterioso possui tantos atrativos !

É suficiente descartar as distrações com grande e prudente calma, sem desistir; se três horas correm antes de pode dizer convenientemente o Pater , estas terão sido três horas muito bem empregadas; nenhum esforço se perde. A Prece pode ser penosa, sem gosto, aborrecida; e teria, assim, ainda mais mérito.

Traduzido de Paul, Sedir: “Lês Forces Mystiques et la Conduite de la Vie”, Paris, Amitiés
Spirituelles, 1977 , págs 80 e 81.





                                     Métodos de Oração de Paul Sedir:

1. Recolhimento interno.
2. escolher a posição: em pé, joelhos ou prosternado, conforme sua inclinação.
3. Dizer a Deus que está se colocando em Sua presença.
4. Esquecer as preocupações. Criar em si a humildade, depois a confiança, depois a calma.
5. Aquecer o coração recapitulando rapidamente todos os benefícios do Pai para com o mundo, - para o gênero humano, para si-mesmo. Tudo que Jesus fez por nós, - para o gênero humano, - para a criação.
6. expressar o desejo de colaborar com a Obra Divina.
7. Se humilhar profundamente.
8. Se oferecer a Deus desde a medula dos ossos ao cume do espírito, com todo seu coração e se possível até as lagrimas.
9. Perdoar do fundo do coração, do fundo da inteligência e mesmo do fundo da vitalidade corporal a todo ser e a todas as coisas.
10. Recitar a Oração dominical (Pai Nosso) com todo o fogo e toda atenção possível, sem procurar sensações psíquicas, na nudez obscura da fé.
11. Persistir até chegar a prece sem distração.
12. Tomar resoluções precisas.




Antes de um trabalho particular:

1. Recolhimento interno se colocando em calma, confiança e humildade.
2. Deus me ver, Jesus esta ao meu lado.
3. Se desculpar das faltas, em bloco.
4. Se arrepender com dor.
5. Se oferecer a Deus.
6. Lhe pedir ajuda.
7. Esquecer um estante tudo que sabe e deixar vir a inspiração.
8. Iniciar o trabalho.
9. Rever, examinar e corrigir o fruto do trabalho..
10. Agradecer ao Cristo.

Exame de Consciência

1. Agradecer a Deus por tudo dado ao longo do dia, em prazer e em penas/dor.
2. Pedir a lembrança das faltas e O Arrependimento.
3. Recapitular o dia hora à hora.
4. Procurar aquilo que me desagrada nos outros e me convencer de que possuo o mesmo defeito.
5. Observar minha ingratidão, minha traição, minha semelhança com Judas.
6. Arrependimento até as lágrimas.
7. Resoluções precisas e especiais formuladas para o dia seguinte.
8. Se ter com um puro nada e pedir o socorro de Deus.

No curso da Vida:

Manter-se na maior simplicidade e nudez interior. Nada de restrição e rigidez da vontade. Manter-se um com o céu, guardar a sensação viva da Presença Divina, viver com liberdade, paz, confiança amorosa.

Traduzido de Paul, Sedir: “Lettres Mystiques”, Paris, Amitiés Spirituelles, 1987, págs 41 à 44.(Comunidade no orkut dos Amities.