segunda-feira, 18 de julho de 2016

OS PERIGOS DA MEDIUNIDADE

Apresentamos outro texto para reflexão dos Iniciados e dos médiuns, descrevendo os efeitos da mediunidade no próprio médium. Naturalmente este texto não pretende ser a verdade absoluta e definitiva sobre o tema. Nosso objetivo não é provocar polêmicas, mas contribuir para o entendimento dos motivos do martinismo, e demais Ordens iniciáticas, não aprovar ou recomendar as práticas espíritas mediúnicas. (Pseudo-Sedir).

                                Os Perigos da Mediunidade

                                                       por Sinbuck, S::I::

    
O “Médium (do latim médium, meio, intermediário). Os Médiuns são pessoas acessíveis à influência dos Espíritos, e mais ou menos dotadas da faculdade de receber e de transmitir suas comunicações.” O Médium espírita é um intermediário entre os seres encarnados e desencarnados; é , geralmente, um instrumento passivo de influências estranhas e, portanto, exposto à influência de qualquer entidade astral que se ache em sua proximidade. O Médium, quando em “transe”, isto é, no estado semelhante ao sono hipnótico, fica inconsciente; nada sabe do que se faz por mediação do seu organismo, e quando desperta desse estado e volta à consciência ordinária, não se lembra do que fez ou do que foi feito por intermédio dele. Há, portanto, muitas vezes uma possibilidade de ser abusado por entidades mal intencionadas do astral, e por isso corre o perigo de ficar obcecado.[1]

         Um dos perigos reais da mediunidade é a obsessão (idéia fixa, escravização temporária do pensamento). Como obsessão entende-se todo e qualquer constrangimento que os Espíritos inferiores determinam sobre o médium dominando a sua vontade. Todos os que possuem faculdade mediúnica, sem exceção, estão sujeitos a obsessão, devendo, no entanto, resistir a influência negativa dos Espíritos voltados ao mal. Geralmente, nos médiuns em desenvolvimento, a obsessão começa sob a forma simples, usando os obsessores de vários artifícios para conseguirem o seu intento. Pode evoluir para a fascinação[2] quando o médium acha que é assistido por Espíritos Superiores, que na verdade não passam de mistificadores, que sabem explorar sua vaidade, lisonjeando suas faculdades e colocando-o como um “missionário”; com importante papel no mundo.  A evolução pode seguir seu curso normal chegando o médium ao estágio da subjugação[3] quando o obsessor domina completamente, tanto sua inteligência quanto sua vontade. Os Espíritos agem sobre o médium através dos pensamentos, envolvendo-o com os seus fluidos que o embaraçam. É um verdadeiro processo de enredamento fluídico.[4] 




         A presença física do obsessor nem sempre é verificada, porém a sua ação é notada pelos resultados de sua influência sobre a mente do médium que está sujeito. À distância, por um fenômeno telepático, pode o obsessor acionar os mecanismos que deseja como um operador de rádio. É lógico que para isso acontecer, devem os dois, médium e obsessor, estar vinculados pelo passado ou por se encontrarem na mesma faixa vibratória, que os identifica. [5]

         A prática mediunica pode também conduzir os médiuns à neurastenia. A Neuroastenia é um estado neurótico, um distúrbio mental caracterizado por astenia[6] psíquica, grande irritabilidade, cefaléia, alterações do sono, esgotamento nervoso, depressão e fácil fatigabilidade[7], e ainda é capaz de causar graves neuropatias orgânicas, e muitos têm morrido loucos ou foram tocados por transtornos nervosos profundos e descontroles psíquicos. Em alguns casos, o descontrole psíquico pode levar o indivíduo à loucura. Se o Espírito envolvido num processo obsessivo for uma entidade hipócrita, poderá levar o médium obsediado a um processo de fascinação, que pode culminar na loucura.



         A mediunidade abre as “portas” do médium às influências estranhas. No corpo humano, há certos centros vitais (chakras), comparáveis a portas, que abrem a entrada para as forças extra-físicas que passam por elas como uma corrente elétrica passa através de um arame, agindo sobre a espinha dorsal, e difundindo-se sobre o sistema nervoso. Estes centros são normalmente protegidos pela natureza, com coberturas ou envolturas compostas de matéria física e de matéria astral, que permitem o influxo das forças vitais normais, e servem-lhe de guardas. Estes centros ou “portas” devem ser abertos somente às influências boas, espiritualizadas, e não às entidades indesejáveis, baixas e maliciosas, que são capazes de destruir as envolturas protetoras, tornando, assim, impossível à comunicação com os planos superiores do Astral.[8] Pois, como poderiam os médiuns evitar a intervenção e a ação de Espíritos e de influências malfazejas ?




         Todavia, alguns espíritas eminentes confessam, eles próprios, estes perigos, ainda que busquem atenuá-los. Eis aqui concretamente o que diz Leon Denis: “os espíritos inferiores, incapazes de aspirações elevadas, se comprazem em nossa atmosfera. Se mesclam em nossa vida, e, preocupados unicamente com o que o cativava seu pensamento durante sua existência corporal, participam nos prazeres ou nos trabalhos dos homens a que se sentem unidos por analogias de caráter ou de hábitos. As vezes, inclusive, dominam e subjugam as pessoas débeis que não sabem resistir a sua influência. Em alguns casos, podendo levar suas vítimas até o crime e a loucura. Estes casos de obsessão são mais comuns do que se pensa.[9]. Alguns médiuns, quando estão em atividade mediúnica, podem apresentar alterações neurológicas semelhantes a disritmias[10]. Tais práticas são capazes de modificar a atividade do sistema nervoso, trazendo mudanças psíquicas e comportamentais. O que acontece é que, mesmo os melhores, os mais poderosos Médiuns, muitas vezes sofrem durante anos, terríveis enfermidades na espinha dorsal, conseqüência de suas relações com “Espíritos”. Pois como se sabe, a mediunidade é um canal que liga todas as criaturas vivas ao mundo invisível ou dos Espíritos, deixando-os assim, suscetíveis as mais variadas enfermidades nervosas e psíquicas. Pois, abre canais para a recepção de influências suscetíveis de perturbarem e de comprometerem a atividade das células nervosas, visto que, a saúde física, emocional e mental de qualquer pessoa está ligada, de alguma forma, à saúde das células nervosas.

         Noutra obra, do mesmo autor, lemos isto: “ O médium é um ser neurótico, sensível, impressionável... A ação fluídica prolongada dos espíritos inferiores pode ser-lhe funesta, arruinar sua saúde, provocando fenômenos de obsessão e de possessão... Estas enfermidades, que afetam principalmente o sistema nervoso, vêm acompanhados mais freqüentemente de perturbações psíquicas. Enfim, podem também vir acompanhados, além das obsessões de caráter variado, de idéias fixas, de impulsos criminais, de dissociações e alterações da consciência ou da memória, manias, loucura em todos os graus. Em suma, tudo isso, tende pura e simplesmente à desagregação da individualidade humana, alcançando às vezes, como vimos, diferentes formas de desequilíbrio mental e psíquico[11]São registrados os seguintes transtornos neuróticos : fóbico-ansiosos, transtornos de ansiedade, obsessivo-compulsivos, reações de estresse e transtornos de ajustamento, transtornos dissociativos,  e outros, onde se incluem neurastenia e despersonalização.[12]

        Bem entendido, devemos lembrar que, o que é Ativo age sobre o que é Passivo e utiliza até a sua força. Ao abandonar-se passivamente a tais práticas, suscetíveis a influência dos mais variados espíritos, acaba o indivíduo por “entregar ao desconhecido tenebroso a direção de seu pensamento e tornam-se o que é horrível e inteiramente contrário à ordem natural – alienados voluntários,”[13] que os torna rigorosamente incompatíveis com a via de uma iniciação real e efetiva.






[1] Lorenz, Francisco Waldomiro. Raios de Luz Espiritual, Pensamento, pág 14.
[2] É  uma ilusão produzida pela ação direta do Mau Espírito sobre o pensamento do Médium, inspirando-lhe uma confiança cega.
[3] É  uma constrição que paraliza a vontade do médium, capaz de neutralizar seu livre-arbítrio.
[4] Peralva,  Martins. Estudando a Mediunidade; FEB. 
[5] Peralva, Martins. op.cit.
[6] Falta de vitalidade e perda de energia em conseqüência de um estado de fraqueza geral.
[7] Guimarães, Deocleciano Torrieri (org).Dicionário de Termos Médicos e de Enfermagem, ed. Rideel.
[8] Lorenz, Francisco Waldomiro, op. cit.  pág 83.
[9] Après la mort, p. 239. Citado por René Guenón, El Error Espiritista, 1923.
[10] Presença de ondas anormais, geralmente detectáveis pelo eletroencefalograma.
[11] Ver René Guenón, El Error Espiritista, 1923.
[12] Guimarães, Deocleciano Torrieri (org).Dicionário de Termos Médicos e de Enfermagem, ed. Rideel.
[13] Levi, Eliphas. A Ciencia dos Espíritos, pág. 144.

2 comentários:

  1. Você está certo, a prática da mediunidade pode ser uma coisa perigosa. Sou espírita Kardecista e medium. A mediunidade é uma característica de nascença, o seu exercício é uma escolha. Eu mesmo, não exerço a mediunidade por achar que minha mente fica confusa e suscetível a fantasias e esta foi a recomendação do Centro Espírita que eu frequentei. Me falaram assim, nem todo mundo que tem a mediunidade deve exerce-la, pois se isso afeta a sua lucidez deve ser evitada.

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  2. Obrigado pelo seu depoimento Irmão, por sinal, bem elucidativo! Muita Paz!!!

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