sábado, 24 de janeiro de 2015

IN NOBIS REGNAT IESHOUAH



                                               IN NOBIS REGNAT IESHOUAH

                                                      Por SAGI NAHOR S ::I ::I :: (Loja Maharba – França)

                    Bendito seja Aquele que vem em Nome do Senhor !
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   O Ieshouah, Sabedoria Inefável,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Esplendor Incriado,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Salutar Incarnação,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Sentido Imutável,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Servidor Imolado,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Sacrifício Inocente,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Silencioso Inspirador,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Santo Instrutor,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Soberano Iniciador,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Superior Irreepreensível,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Segredo Incomunicavel,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Senhor Interior,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Suprema Identificação,
                   Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !
                   Ó Ieshouah, Sol de Justiça, Tu que aqueces e clareia todo o Universo, faça resplandecer sobre nós Tua divina Luz, encendeie nossos corações com o sagrado fogo onde TU mesmo Te queimas e preenchas nossas almas com Teu esplendor. Bendito seja Aquele que vem em Nome do Senhor ! Ó Ieshouah, bendito Ieschouah !

** Retirado e traduzido (por Pseudo-Sedir) do blog: http://saginahor.unblog.fr

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

SETENÁRIO ARCANGÉLICO

Arcanjo Rafael
  
Para os S::Is:: , cujo grau está cravado em seu Espírito e não apenas em seu colar.


SETENÁRIO ARCANGÉLICO
Por Sagi Nahor**

Nos textos bíblicos (antigo e novo testamento) são mencionados três nomes e aparições angélicas: Michael, Gabriel e Rafael. A tradição da Igreja do Oriente, entretanto, conservou os nomes e atributos de quatro outros Arcanjos formando sete, inseparavelmente, os espíritos presentes diante do trono de Deus. Estes sete Arcanjos, que formam a Sinaxis dos Incorporais são representados sobre os ícones da Sophia: “A Sabedoria edificou sua casa, talhando suas sete colunas” (Provérbio, 9:1). Estes 7 Arcanjos são colocados em ligação com a Sabedoria divina, como os 7 Dons o são com o Espírito-Santo, as 7 Virtudes com a alma humana e os 7 Sacramentos com a obra redentora do Cristo e do Espírito-Santo.

Nota: sobre estes ícones da Sophia, são também representados Jesus e Maria, indicando claramente uma distinção entre estas três Pessoas (no sentido teológico do termo).

MICHAEL: Significa “Quem é como Deus?”. É por esta questão, que constitui sua ontologia, que o Arcanjo combate a rebelião. Michael é representado com uma espada.

GABRIEL: “A Força de Deus”. É representado com um Liz na iconografia Cristã, tornou-se o Anunciador da Encarnação à Maria.

RAFAEL: Significa “Médico de Deus”. Aparece no livro de Tobias, onde realiza curas e exorcismos. É representado com um vaso de resinas, principalmente a mirra.

URIEL: Freqüentemente chamado “Fogo de Deus”, seu nome vem de “AOR”, Luz. A resplandecência da Luz expressa melhor a idéia evocada por este Arcanjo. Seu atributo simbólico é o esplendor.

BARAQUIEL: É a “Benção de Deus”, sendo associado com a abundancia. É representado com um véu branco contendo uma prodigalidade de flores.

IEUDIEL (Jegudiel ou Judiel): Representa o “Glorificador de Deus”, a admiração, a contemplação. É representado portando uma coroa.

SEALTIEL: Representa o “Intercessor de Deus”. É representado com um rosário de 100 contas.

É enorme a tentação de atribuir, à cada um destes Arcanjos mencionados, um trabalho ‘teúrgico’ específico, em seu dia da semana, com horário calculado, etc..., a exemplo dos magos da Antiguidade, mas este setenário forma uma unidade indivisível e a Obra de Regeneração, que imita a obra unitiva do Cristo-Jesus, somente pode reuni-los, em um única e mesma operação.

Conselho Angelical
“Três vezes Santo é o senhor dos Exércitos. Bendito seja teu Nome. Quem és como tu, Deus Todo-Poderoso? Tu somente és Santo, Tu somente és o Senhor dos Exércitos, somente Tu és o Ancião dos dias. Escute nossa voz, oh! Deus Altíssimo e em Tua Misericórdia, responda favoravelmente meu apelo”.

Que a Proteção de teu santo Arcanjo Michael esteja sempre conosco, oh Senhor dos Exércitos! Que a Força de teu santo Arcanjo Gabriel esteja sempre conosco, oh Senhor dos Exércitos! Que a Cura de teu santo Arcanjo Rafael esteja sempre conosco, oh Senhor dos Exércitos! Que a Luz de teu santo Arcanjo Uriel esteja sempre conosco, oh Senhor dos Exércitos! Que a Benção de teu santo Arcanjo Beraquiel esteja sempre conosco, oh Senhor dos Exércitos! Que a Glória de teu santo Arcanjo Ieudiel esteja sempre conosco, oh Senhor dos Exércitos! Que a Intercessão de teu santo Arcanjo Sealtiel esteja sempre conosco, oh Senhor dos Exércitos!

Estas Graças, nós te pedimos pelos méritos de Ieschouah, teu Cristo, nosso Senhor, Ele que sendo Deus vive e reina convosco na unidade de teu Espírito-Santo, Deus único e eterno!”


OBS: ** Retirado e traduzido do blog: http://saginahor.unblog.fr/



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

A CIÊNCIA DOS ESPÍRITOS

                        A CIÊNCIA DOS  ESPÍRITOS***
                                               por Eliphas Levi

                            Breve resumo feito por Pseudo-Sedir

2a PARTE : (p. 65)

O autor discorre sobre as fontes das teorias sobre as Almas, onde afirma "os espíritos vivem a um tempo duas vidas: uma geral, comum a todos; e a outra especial e particular." (p. 66)

A transição (p.68)
Mortos, os espíritos criam seu próprio mundo e suas imagens, segundo suas crenças e ideologias. Alguns caem no vazio, e nas trevas, devido sua ignorância. Estas imagens são de vários tipos "As vontades audaciosas e desregradas produzem larvas e fantasmas. A imaginação tem o poder de formar coagulações aéreas e eletromagnéticas que refletem os pensamentos durante um momento e, sobre tudo, os erros do homem ou do círculo de homens que os põe no mundo".
O autor não aceita a teoria da reencarnação, pois uma vez morto a Alma segue sua trajetória em outros mundo e planos e não mais pode retornar a este planeta, pois "é impossível que o mesmo homem renasça duas vezes na mesma terra". (p.70)

Pretensos espíritos ou fantasmas: (p. 88)

Neste tópico o autor narra e analisa o Livro de Jó, a mais notável síntese que nos restou do dogma filosófico e mágico da antiga iniciação.
Eliphas afirmar ser este o arquétipo dos médiuns das épocas antigas, afirma que ele é o mais triste e o mais desesperado dos três amigos de Jó.
Explicando o contato deste personagem com os mortos afirma: "Os mortos voltam apenas em nossos sonhos. Assim , o estado de mediomania é uma extensão do sonho, é o sonambulismo com toda a variedade de seus êxtases. Aprofundando os fenômenos do sono, dominaremos todos os mistérios do espiritismo". (91)

O autor explica que Piton é uma palavra que os hebreus tomaram de empréstimo para designar a grande serpente astral

A luz astral passiva (Ob) estaria por detrais destes fenômenos, depois lembra que a Luz astral possui duas polaridades mais o equilíbrio:
Luz ativa -  Od
Luz passiva - Ob
Luz equilibrada - Aour

Ob é a interprete da fatalidade, do enfraquecimento do livre-arbítrio e da vontade, é o fluido sonambúlico, enquanto Od é a Luz dirigida, elevada ao estado de glória.

Recontando a história de Saul que consulta a pitonisa e esta invoca o espírito de Samuel que prediz sua derrota, este entra em desespero, desanimo e vai previamente derrotado para guerra e perde. Para Levi essas invocações são imagens tiradas do princípio passivo de Ob, através do sonambulismo, ou seja, a pitonisa na verdade leu o inconsciente de Saul (com seus medos, fantasmas e ideias) e os apresentou como sendo ditadas pelo espírito de Samuel [ela não faz por trapaça, mas por ignorância do fenômeno]. (93)

Sobre a ressurreição dos mortos: é possível enquanto o organismo vital não tiver sido destruído. Desta forma estando a Alma ainda nas baixas regiões do astral, pela ação firme de um Homem de Vontade ela pode retornar ao seu antigo corpo e voltar à vida.

Sobre Satã afirmar: Seu império é a terra (príncipe do mundo), não se trata de uma força espiritual, mas de uma força material análoga à eletricidade, ou melhor, a eletricidade extraviada. (96)

Santo Espiridião (101)

Relatando a história deste santo e de sua filha que tendo enterrado um tesouro de um amigo, faleceu com o segredo. Na tentativa de tentar descobrir o lugar, o pai foi ao túmulo da filha e após uma invocação teve a revelação de onde se encontrava o tesouro. Explicação de Levi: a ida do pai ao túmulo serviu para evocar lembranças e obter por simpatia magnética uma intuição de Segunda visão [ou mesmo uma lembrança, quem sabe a filha não o teria dito em vida e ele havia esquecido o fato?].

Capitulo IV (106)

Ë relatada e explicada a participação do sangue nos rituais e sacrifícios antigos, além de suas propriedades: "O sangue é o grande agente simpático da vida; é o motor da imaginação, é o substratum animado da luz magnética ou da luz astral polarizada nos seres vivos; é a primeira encarnação do fluido universal, é a luz vital materializada."
"Todos os mistérios religiosos são igualmente mistérios de sangue" Não há culto sem sacrifícios.."
Para Paracelso "É do vapor do sangue que a imaginação tira todos os fantasmas que cria".
Levi discorre sobre a relação entre sacrifício e sangue e seu papel e legitimidade no mundo antigo, MAS nos tempos atuais isto não é mais necessário, pois "Jesus morreu pela abolição dos sacrifícios sangrentos" assim o reino dos deuses de sangue terminou.
O autor associa o espiritismo moderno aos antigos cultos sanguinários, já que eles utilizaram os mesmo princípios fluídicos para dar vida a suas mensagens: "o magnetismo é a projeção dos espíritos do sangue e vós magnetizais os vossos móveis, empobrecendo o vosso cérebro e o vosso coração".

Capitulo VI

Sobre o mundo antigo e a morte do velho culto: "Com Apolônio de Tiana, o velho mundo parecia Ter dito sua última palavra".

Capítulo VII (120)

Para o autor só existe um meio dos espíritos voltarem a terra: a ressurreição. Ele lembra que os teólogos ensinam que os mortos não podem se manifestar neste plano e que são os demônios quem atendem aos apelos dos mortais.

Vampirismo (126): "Monomaníacos que são fatalmente levados a alimentar-se com a carne dos mortos", mas os verdadeiros vampiros são mortos que aspiram e sugam o sangue dos vivos. Os médiuns não comem, é verdade, a carne dos mortos, mas aspiram por todo seu organismo nervoso o fósforo dos cadáveres ou luz espectral. Não são vampiros, mas evocam os vampiros. Também são todos frágeis e doentes, frágeis de espírito e de corpo, fatalmente propenso às alucinações e à loucura. “O espiritismo é o onanismo das almas"

Ele lembra que Moisés condenou a consulta a Oboth, que são os fantasmas do OB ou a luz passiva.

Casas fantasmas (128): O autor atribui às aparições e demais fenômenos que podem ocorrer nestes ambientes a uma magnetização desregrada, um vício ou desvio da luz astral passiva, que provocaria ilusões e manifestações (mesmo as tangíveis) presenciadas por todos.
Outros casos, ainda mais simples, são consequências do ar viciado do ambiente, basta arejar a casa e tudo volta ao seu normal.

OBS: O que o autor não explica é o motivo desta má magnetização destes ambientes.

*** Levi, Eliphas: A Ciência dos Espíritos, SP, edt Pensamento, 1997



quarta-feira, 21 de maio de 2014

EQUIVALENTES PSICOLÓGICOS DAS NOVE SINFONIAS DE BEETHOVEN


                                                                                        
                                                               Por Pseudo-Sedir

Reproduzimos abaixo os efeitos psicológicos das nove sinfonias do Mestre Ludwig Von Beethoven, conforme os estudos dos musicólogos Banõl e Lingerman, objetivando uma audição consciente e interiormente transformadora.

Para efeitos terapêuticos o gosto musical ou a preferencia estética por determinado gênero ou mesmo alguma das sinfonias aqui expostas não é levado em conta, o importante é o efeito produzido pela música escolhida.
Na perspectiva terapêutica, a música deve ser ouvida em profundidade e não apenas “escutada”. Nada adianta escuta-la enquanto se realiza outras tarefas distraidamente (comer, ler, dirigir, etc...). Para alcançarmos nossos objetivos curativos ou motivacionais devemos sentar relaxados e conscientes do que pretendemos com a melodia, a postura é de meditação, onde a música é a chave que abre as portas de nossa autotransformação. Devemos deixar a música penetrar em cada músculo, cada célula, e em cada um de nossos corpos interiores para que ela cumpra seu papel terapêutico (1).

Por que as sinfonias de Beethoven? Deixemos a resposta para o musicólogo Hal Lingerman (2) “ A música de Beethoven é a música de um titã. Sua vida e suas obras fornecem novos acessos às emoções e às condições humanas. Beethoven é o primeiro psicólogo musical a explorar a psique dos sofrimentos da espécie humana, ajudando a humanidade e crescer. Sua música vibra com alegrias e tristezas; como uma ampla energia primordial, ela projeta sobre o ouvinte grandes ondas de força. Às vezes irada, outras vezes calma, a música de Beethoven está cheia de espírito de luta, de coragem e de uma enorme força de vontade; algumas vezes é resistente como o granito. Contudo, ela também pode ser suave e lírica, religiosa e autêntica.”

Após esta belíssima descrição, eis as nove sinfonias com seus efeitos psicológicos e terapêuticos. Boa viagem!

Primeira Sinfonia:

É a sinfonia da “gênesis psicológico”. Deve-se escutar para motivar-nos em tudo o que queiramos iniciar.



Segunda Sinfonia:

É a revolução psicológica: “É um complexo monstruoso, um horrível dragão ferido retorcendo-se que se nega a expirar e que, ainda que no final sangre, segue revolvendo-se e dando furiosas rabanadas a um lado e outro”.



Terceira Sinfonia:

É a da “busca do equilíbrio”. Deve-se escutar para motivar-nos a sair dos estados de nervosismo excessivo, incerteza, desânimo, descontrole e pessimismo.



Quarta Sinfonia:

É a “sinfonia do amor”. Deve-se escutar para motivar-nos a sair dos estados de ódio, vingança e egoísmo.



Quinta Sinfonia (Heroica):

É a do “destino do Homem”. Deve-se escutar para motivar-nos a traçar as estruturas daquilo que queremos na vida, que dizer, a criar nosso destino. Desperta a vontade de vencer.



Sexta Sinfonia (Pastoral):

É a da “Heuristica”. Deve-se escutar para motivar-nos a toda ação criadora, a todo movimento que tende a solucionar problemas.
Os dois primeiros movimentos são especialmente bons para a purificação emocional e para o soerguimento; O movimento “tempestade”, seguido pelo “Hino de Ação de Graças”, também revelam-se muito gratificante.



Sétima Sinfonia:

É a da “exploração do Subconsciente”. Deve-se escutar para motivar-nos a nossa própria autoanálise, a nosso estudo axiológico.



Oitava Sinfonia:

É a “emancipação psicológica”. Deve-se escutar para motivar-nos para as mudanças, transformação e a valorização.



Nona Sinfonia:

É a da “sublimidade” e da “elevação”. Deve-se escutar para motivar-nos a remontar-nos às escalas de sentimentos místicos, de espiritualidade, de devoção.
Retrata também a criação a partir do vazio e culmina no magnífico “Hino para Fraternidade”, que inspira amor universal e compreensão entre as nações.


Notas:

1. Veja detalhes técnicos na bibliografia abaixo.
2. Lingerman, Hal, Op. Cit, pág 129.

Bibliografia:

1. Banõl, Fernando Salazar: Musicoterapia, SP, Sol Nascente, s/dt;
2._________, Biomusica, SP, Sol Nascente, 1986 (em espanhol);
3. Lingerman, Hal, As Energias Curativas da Música, SP, Cultrix, 1990.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

ANTIGAS CIÊNCIAS DA CURA

                                
      Hoje apresentamos um texto de um autor não martinista, mas que escreve dentro do nosso ponto de vista e visão de mundo. Martin Lings (*Burnage, Lancashire, 24/01/1909 - 12/05/2005, em Kent) foi discípulo de René Guenon, e autor de inúmeras obras que nos ajudam a entender os motivos do colapso da sociedade atual. Lings é considerado um continuador de Frithjof Schuon. Muçulmano foi um grande especialista na história e doutrina do sufismo. Recomendamos enfaticamente os livros destes três autores citados.


                          ANTIGAS CIÊNCIAS DA CURA**


“Segundo os Purânas hindus (1), a doença física era desconhecida até uma fase bem adiantada da Dwâpara Yuga, isto é, a Idade de Bronze, a terceira das quatro eras. Com relação às antigas ciências da cura, que foram transmitidas desde tempos pré-históricos entre os vários povos, a função do "curandeiro" muitas vezes era simplesmente parte da função do sacerdote e, de qualquer maneira, a própria ciência estava sempre intimamente ligada à religião. Por esta razão, ela estava também mais ou menos vinculada às outras ciências antigas, cada uma das quais constituindo um ramo da religião, e todas estavam baseadas no conhecimento de certas verdades cosmológicas que, segundo a tradição, chegaram ao homem por inspiração e, em certos casos, por revelação.

Todas essas verdades são aspectos da harmonia do universo: constituem as correspondências entre o microcosmo, o macrocosmo e o metacosmo, isto é, entre o pequeno mundo do indivíduo humano, o grande mundo exterior e o outro mundo, que transcende ambos. Tomemos um exemplo cada planeta (isto é, aqueles planetas visíveis a olho nu que, juntamente com o Sol, perfazem sete) relaciona-se com um metal específico, com certas pedras, plantas e animais, com uma cor particular e uma nota na escala musical; cada planeta tem seu dia da semana e suas horas durante o dia, governa certas partes do corpo e corresponde a certas doenças; no plano psíquico, relacionam-se a certos temperamentos, virtudes e vícios; e, metafisicamente, correspondem a um dos Sete Céus e a certas Potências Angélicas, Santos, Profetas e Nomes Divinos.

Uma ciência nunca poderia chegar a englobar todos os mistérios do universo; há, por conseguinte várias e distintas ciências tradicionais da medicina, mas em geral a prática competente de uma dessas ciências pressupunha alguma compreensão não apenas de fisiologia, biologia, botânica, mineralogia, química e física (tratadas de um ponto de vista completamente distinto do das ciências modernas), mas também de astrologia e algumas vezes de música, assim como daquelas ciências que eventualmente são chamadas de ciências dos números e das letras, às quais devem ser acrescentadas a metafísica e a teologia, incluindo um vasto conhecimento prático de liturgia, tudo combinado com uma excepcional aptidão natural para a cura.

Embora admitindo exageros freqüentes, seria insensatez não acreditar em tudo o que a tradição transmitiu, em diferentes partes do mundo, sobre as curas notáveis efetuadas pelas antigas ciências. Mas, entre elas e a medicina moderna não há ligação. É verdade que um ramo da antiga ciência chinesa da medicina, conhecido no Ocidente como "acupuntura", e que ainda é largamente praticado na China e no Japão, tem sido adotado de uma maneira fragmentária por alguns médicos ocidentais, que foram convencidos de seu valor por sua extraordinária eficácia. Mas é bastante duvidoso que este ramo possa se tornar aceitável à generalidade do mundo médico moderno, pois ele se baseia em relações bem pouco evidentes entre distintas partes do corpo, relações estas que meras investigações experimentais jamais poderiam detectar e que a ciência moderna não poderia levar em conta.

Alguns dos médicos ocidentais que praticam a acupuntura tentam na verdade adaptá-la à medicina moderna, sustentando que ela deve ter surgido de experiências. Mas isso não passa de pura hipótese e, à parte o fato inegável da antiga abordagem da ciência, pelo mundo afora, ter sido radicalmente diferente da abordagem moderna, pode-se realmente conceber que é possível descobrir, por meio de simples experiências, que, por exemplo, para uma dor de estômago o tratamento deve ser aplicado num centro nervoso no dedão do pé? Ou que o fígado pode ser tratado via tornozelo, o rim através do joelho, o intestino grosso pelo cotovelo e assim por diante?

Independentemente de algumas raras intrusões, geralmente superficiais, de tais ciências na medicina moderna, e levando em conta certa continuidade entre o passado e o presente - no que diz respeito ao uso de medicamentos ela talvez seja maior do que se supõe -, a medicina moderna é o que ela alega ser: uma invenção puramente humana, baseada simplesmente nas experiências práticas do próprio homem.


(...)

Mas se em nossos dias a ciência médica escapou em vários sentidos do controle do homem, decididamente o aspecto mais sinistro da situação é que ela assumiu sua importância pseudo-absoluta atual pela usurpação em grande medida de algo que, de fato, concerne ao Absoluto.

O mundo moderno dedica ao tratamento dos corpos doentes uma soma incalculável de energia, que no passado era dedicada ao tratamento das almas enfermas. Os homens eram educados na consciência de que todas as almas eram doentes, salvo raríssimas exceções. Não é preciso dizer que os padrões modernos também consideram que muitas almas estejam enfermas e nós somos continuamente advertidos de que tanto o número de criminosos quanto os de loucos aumenta todo dia. Mas a grande maioria das almas - as dos honestos e sãos - é considerada hoje como possuidora de boa saúde, ou, de qualquer maneira, como boa o suficiente para não precisar de tratamento. Supõe-se que essas almas estejam mais ou menos imunes à deteriorização. Perdeu-se de vista o abismo que separa esta assim chamada "boa saúde" da saúde perfeita e, em geral, idéias sobre o que é a perfeita saúde da alma são bem vagas. Essas idéias também não parecem ter sido, via de regra, muito menos vagas nas gerações recentes, as dos últimos dois ou três séculos, cujo moralismo cada vez mais tolo e superficial iria acabar provocando uma reação de ceticismo amora!.

Por outro lado, se nossos antepassados menos recentes sabiam tão bem que suas almas estavam doentes, e se eles compreenderam tão bem a natureza da doença, foi porque sua civilização estava fundada na idéia da saúde psíquica e era dominada pelo conceito da alma perfeita. Eles tampouco estavam sós, pois não se pode sinceramente dizer que este conceito, estando baseado em princípios universais, tenha variado de um lado ao outro do Mundo Antigo, exceto onde a religião tenha se degenerado ao ponto de perder de vista o próprio fim de sua existência, que é acima de tudo reconciliar o homem com sua Fonte Absoluta, Eterna e Infinita. Onde quer que a religião mantenha este propósito em vista, a concepção da mais alta possibilidade humana permanece necessariamente a mesma; e levando em conta certas diferenças de formulação, as grandes religiões do mundo são de fato unânimes em afirmar que o aspecto essencial daquele que reconquistou o estado do Homem Primordial, readquirindo portanto a completa saúde da alma, é a consciência do "reino do Céu dentro de si": ele não tem necessidade de "buscar", pois já encontrou; nem necessidade de "bater", pois já se "abriu" para ele. E, através desta abertura, a alma humana, em forma de espelho, é capaz de refletir as Qualidades Divinas e ser, como foi criada, ‘à imagem de Deus’".

** Lings, Martin: Sabedoria Tradicional & Superstições Modernas, SP, Polar, 1998, págs 56 a 61.

Nota:

1. Coleção de livros sagrados hindus. (N. do T.)


domingo, 15 de setembro de 2013

MARTINISMO, CURA E CARIDADE

 Martinismo, Cura e Caridade**
                 Pseudo-Sedir

“Todos, podeis vos curar uns aos outros pelo magnetismo. Mas para ser ouvido, é preciso não ter rancor contra ninguém e amar ao próximo como a si mesmo”
               M. Philippe de Lyon


O Martinismo (1), como todas as Ordens Iniciáticas Tradicionais, não ignorou, ao longo de sua história, a importância da cura mística. Segundo os ensinamentos de nossos Mestres do Passado há, basicamente, três espécies de origens para as infinitas doenças: as de origem física, astral, e as espirituais. Esta classificação esta baseada na idéia de que cada um dos nossos atos, independente de sua natureza e motivação, acarreta uma imediata conseqüência no mesmo plano em que este ato foi realizado.

As doenças físicas são fruto de nossa ignorância e desrespeito aos nossos limites biológicos, aos excessos de comida, bebida e paixões, ou seja, toda vez que o homem abusar de suas faculdades instintivas e de seu corpo físico, pagará um preço em forma de moléstia. Sendo de origem física, estas doenças são tratadas por meios físicos, como, por exemplo, a alopatia, homeopatia e magnetismo.

As doenças astrais são refletidas em nosso corpo astral (cujo alcance e efeito é bem mais danoso do que o efeito no físico), e são originárias de nossas iras, ódios, culpas, paixões descontroladas, inveja, vingança, etc., podendo ainda ser o resultado de um “envultamento” e/ou auto-sugestão. As doenças provenientes do astral são bem mais complexas em seu tratamento, e os métodos recomendados para a cura são aqueles com capacidade para atingir o corpo psíquico ou astral, elevando as vibrações do enfermo, como por exemplo, a homeopatia, os procedimentos mágicos, o magnetismo e os florais.

As doenças espirituais, ou doenças do Espírito são as grandes desconhecidas de nossa mente cartesiana e de nossos médicos acadêmicos. Constituem nosso Carma individual, cuja origem, geralmente, nada sabemos durante nossa vida física. As doenças provenientes do plano espiritual, geralmente, são tidas como incuráveis ou crônicas. Os métodos espirituais recomendados para estas doenças são a Prece e as Operações Teúrgicas, únicas com capacidade para mudar o Destino Cármico do doente, mas, neste caso, há necessidade da intervenção dos Iniciados e dos “Verdadeiros Homens de Deus”.

Podemos agora compreender as razões da ênfase dada na prática da Cura, em especial pela Oração e Teurgia, por algumas Tradições Iniciáticas ao longo dos tempos: Enquanto para as curas com procedimentos físicos (alopatia, homeopatia, acupuntura, etc) basta o curador dominar bem sua técnica, para a cura por métodos vibracionais e espirituais (magnetismo, Orações, teurgia, etc) é preciso, juntamente com a técnica, ocorrer uma prévia e profunda transformação interior do terapeuta, para que suas preces e operações mágicas possam receber a assistência do Invisível e, efetivamente, serem os canais condutores da Graça Divina, única forma de redirecionar o carma individual do paciente.

Nesta senda o esforço de aliviar o próximo nos obriga a uma mudança radical na estrutura de nosso Ser, tanto na parte externa, a personalidade, quanto na interna, o Ser Real. É o Ore e Labore em seu sentido pleno. A dedicação a este tipo de cura é similar ao trabalho em um laboratório alquímico, onde a operação se realiza na mesma intensidade de nossos esforços de mudança e re-alinhamento interior, havendo uma simbiose dialética entre os resultados materiais e espirituais da operação executada. Esta purificação de nosso Ser, pelo trabalho com a cura espiritual, tem como conseqüência direta a Maestria na Via da Caridade e do Sacrifício consciente pelo próximo.

Mas este caminho, pelo Serviço teurgico-terapêutico ao próximo, como todos os caminhos espirituais-Iniciáticos, não é isento de riscos, pois ao agir pela cura do próximo pode haver uma transferência das penas e dores dos doentes para nós, como ajuda para aliviar seu Carma e pagamento pela cura solicitada. Neste caso, ou, entramos conscientemente na Via do Sacrifício Voluntário (2) em benefício do nosso semelhante, ou nos revoltamos, e perdemos a oportunidade de dar um grande salto em nossa Evolução pessoal (3).

Mesmo na via da Prece, individual ou coletiva, também podemos atrair sérios problemas, de todo tipo e ordem, caso esqueçamos das Orações prometidas e os compromissos assumidos voluntariamente. M. Philippe afirma categoricamente: "É coisa grave prometer a alguém que se orará por ele. Fica-se ligado, é preciso fazê-lo, até tirando do próprio sono se for preciso”.

Quando nos engajamos na cura de alguém, estamos imediatamente ligados moralmente e animicamente ao doente, às testemunhas da promessa, tanto as visíveis quanto as invisíveis, incluindo nosso Anjo protetor e o da pessoa necessitada.

Deste modo é melhor MEDITAR BASTANTE antes de assumir qualquer tipo de compromisso com Grupos de Orações, práticas teurgicas ou mesmo com simples pedidos individuais de cura, pois, apesar da boa vontade, podemos simplesmente, aumentar, involuntariamente, nosso Carma pessoal. Entretanto, fecundos frutos colherão os que tiverem Fé em nossos Mestres e Caridade em seu Ser para perseverar na Via da cura espiritual.


Notas:

1) “Numa de suas obras, Papus, diz que algumas das Lojas Martinistas chamadas místicas, tem o costume de se reunir para pedir a cura dos doentes graves...” (Sevananda: O Mestre Philippe de Lyon, V.2, pág 202). Este nosso artigo está baseado nos ensinamentos de: Bricaud, Papus, Paul Sedir, M. Philippe e Jehel/Sevanada Swami.

2) Um bom exemplo deste sacrifício voluntário é relatado por Philippe Encausses: “(...)Em outras situações – mais raras- Ele [Papus] vai para velha igreja de Montmatrre (...) e pede simplesmente que, para facilitar a cura física ou espiritual desejada, provas pessoais lhe sejam enviadas, a ele Gerard Encausse-Papus, como compensação pela Graça concedida a outros....E posso garantir que as provas tanto físicas quanto financeiras ou morais suportadas foram numerosas” (Philippe Encausse: Papus, Lê Balzac de L´Occultisme, p. 97)

3) Segundo Paul Sedir, se alguém cuida de um doente impertinente, impaciente ou repugnante e impacienta-se, indispõe-se , despreza ou julga este doente, mesmo que não o manifeste, já se coloca no Caminho que leva à mesma doença. O mesmo pode ocorrer com aqueles que julgam ou desprezam qualquer doente. O que não significa que fatalmente a pessoa terá esta doença!

** Retirado do Boletim N. 3, ano II, da OMS.

Bibliografia Martinista recomendada sobre tema:

AOR: “Medicina Oculta”, SP, edt F.V. Lorenz, 1998


             “Magnetismo”, SP, edt F.V. Lorenz, 1997

Philippe Encausse: Papus, Lê Balzac de L´Occultisme, Paris, edt Belfond, 1979

Sedir: “La médecine occulte” , Paris, Beaudelot, 1910.

           “ Conditions de la Guerrison mystique”, disponível no site “textes mystiques”

           : “Lês forces mystiques et la conduite de la vie” , Paris, Lês Amitiés Spirituelles, 1977

           : “A Doença”, extraído e traduzido de uma palestra do autor.

           : “La Priere”, Paris, Lês Amitiés Spirituelles, 1987
Sevananda/Philippe Encausse: O Mestre Philippe de Lyon, V.2, edições Alba Lucis, 1970



terça-feira, 7 de maio de 2013

EGRÉGORAS, UMA BREVE INTRODUÇÃO


             Egrégoras, uma breve introdução


                                                                             Por Pseudo-Sedir


“Cada coletivo humano, do menor: família, pequenas associações, aos maiores: povo ou agrupamentos de povos, possuem sua Egrégora, existe mesmo a Egrégora de uma época determinada que, em certo grau, torna-se uma Egrégora histórica...”
 Serge Marcoutoune

Introdução:

Podemos conceituar as Egrégoras como entidades autônomas, formadas pela persistência e intensidade das correntes mentais emitidas por comunidade, associação ou fraternidade, independentes de suas intenções ou finalidades. O vocábulo “egrégoro”, de origem grega, significa: aquele que vigia, que cuida, ou seja, um protetor e mantenedor de algum tipo de grupo ou coletividade (1).

Nascimento da Egrégora:

Para entendermos melhor a questão das Egrégoras devemos sempre ter em mente o caráter de movimento vibratório constante e contínuo do plano astral, onde estes seres atuam e são formados. É a condição plástica e maleável do plano astral que permite a formação, vitalização e configuração das formas exteriores das Egrégoras.

O plano astral é povoado por inúmeras criaturas, das mais variadas espécies e procedências, entre estas encontramos as chamadas “formas-pensamentos” ou “idéias-forças”, que nada mais são que os resultados dos pensamentos, desejos e emoções dos seres humanos encarnados no planeta Terra.

As  “idéias-forças” possuem cores e formas, variando segundo a natureza e a intenção do seu emitente. Inicialmente, estas formas ficam presas ao seu emissor e podem arrastá-lo por uma série de choques de natureza emocional ou mesmo kármica;  Com o tempo estas formas desprendem de seu emissor, e tornam-se criaturas vivas e autônomas, mas geralmente de duração efêmera.

Este mesmo processo ocorre quando um determinado grupo de pessoas está reunido em torno de uma idéia ou doutrina, gerando um infinito número de pequenos seres astrais que, por possuírem afinidades entre si, unem-se formando uma unidade coletiva ou um grande ser astral, dando nascimento ao que chamamos uma Egrégora, representada individualmente por  seu gênio (2), que a defenderá e  guiará enquanto sua finalidade primeira for mantida e seguida pelos membros do grupo.

A Egrégora é um ser tipicamente astral, pois seu centro e seu eixo estão situados neste plano, embora a força para sua criação seja externa e necessite de uma efetiva ligação com o mundo material e físico para a manutenção de uma forma estável. No astral, estes seres enormes, refletem as diferentes cores das múltiplas vibrações disponíveis com a força da emoção e da paixão astral correspondente, concedendo-lhe, segundo Serge Marcoutoune, uma imagem muito curiosa.

Uma Egrégora pode ser classificada como: morna, espiritualizada, negativa e maléfica, conforme os objetivos e intenções dos membros do grupo formador e mantenedor de sua vitalidade astral.

A Egrégora é alimentada pelas orações, rituais, mantras e ladainhas de seu grupo formador. É desta maneira que nascem os deuses protetores dos povos e nações. E é a qualidade e finalidade destas orações e rituais o elemento determinante do tipo de Egrégora formada. Isto explica o segredo de certos santuários de curas e milagres.

O grande perigo é quando uma Egrégora negativa torna-se autônoma ou é abandonada com o fechamento do grupo ou religião originária, ganhando, desta forma, uma vida independente que poderá torná-la um verdadeiro demônio (3) para vampirizar e tiranizar seus crentes, na busca insaciável por matéria astral para sua perpetuação como entidade livre, cuja existência, está condicionada na manutenção de um ponto de apoio no plano físico. Aqui entendemos a necessidade e a exigência  de sangue por parte de certas “entidades” ou “seres” em determinadas religiões e seitas (4).

Entretanto, quando a finalidade do grupo é de ordem espiritual autentica, esta Egrégora pode ser animada e vitalizada, também, por um Ser superior ou Gênio que passará a orientar e auxiliar este grupo. Esta situação ocorre quando o ser-eixo do grupo é uma pessoa realmente dedicada e eficaz em uma destas modalidades:

- pelo poder anímico do entusiasmo e da dedicação até o heroísmo e a morte, se preciso for (perigo: fanatismo);
- ou pelo poder mental do conhecimento, do discernimento e da eficiência intelectual, etc. (perigo: orgulho, personalismo);
- ou pelo poder psíquico (perigo: unilateralidade)
- ou pelo poder da entrega, apoiada: ou na prece e na fé; ou numa confiança sem complicações (perigo: dúvida e depressão) (5)

Outra condição importante é a postura dos demais membros da Loja, grupo ou Fraternidade que deve estar pautada na amizade, fé, harmonia, com ânimos desprovidos de conflitos, rixas, ódios e conspirações de qualquer tipo ou natureza.

Nas condições descritas acima a Egrégora proporciona ao representante desta Coletividade, todos os avisos, medidas preventivas, defensivas e as mais diversas informações para a preservação do trabalho do grupo. Mas como lembra Sevananda Swami, isto exige alguns sacrifícios pessoais por parte do Ser-eixo, que vão desde os pequenos sofrimentos físicos para resgatar os erros e defeitos dos membros do grupo até a eliminação destes de seu seio.

Há ainda as chamadas “Egrégoras descedentes”, fruto direto da intervenção de um Mestre, Anjo ou outro Ser espiritual que cria uma “Entidade” para apoiar um determinado grupo por ele protegido e escolhido para atuar em sua Via de ação. Neste caso, esta Egrégora é o canal pelo qual descerá a Graça Divina para este grupo ou coletividade.

Por fim, há as Egrégoras das Cadeias Iniciáticas e das Grandes Religiões que servem á Obra sacrificial de expiação do Filho de Deus para salvar a humanidade. Estas não são controladas por gênios ou qualquer tipo de Mestre, mas por Seres Reintegrados e pela Vontade divina. Estas Egrégoras servem de apoio, inspiração e emanação de força e Graça para as demais egrégoras espiritualistas ou de interesse dos planos cósmicos Superiores.

Morte da Egrégora:
           
Uma Egrégora pode ser dissolvida nas seguintes hipóteses:

a) Quando o grupo termina, e devido à fraca atuação de suas orações ou rituais, é dissolvida em um tempo relativamente curto;
b) Quando atinge o objetivo para qual foi criada.                                                   
c) Quando uma Egrégora é absolvida por outra de uma nova religião mais forte e consistente.   
d) Quando há uma guerra de Egrégora e uma destrói a outra totalmente nesta batalha astral.                                         
e)  Quando é destruída conscientemente pelos Mestres cósmicos.
           

Terminada a missão, conforme uma das razões acima, a egrégora dissolve-se e perde completamente sua individualidade e  o Gênio, quando existe,  retorna aos planos superiores, onde novas tarefas o aguardam.

Conclusão:

Diante do relatado cabe, aos verdadeiros espiritualistas, controlarem seus pensamentos para não criarem monstros astrais de perigosas e incalculáveis conseqüências e aos grupos Iniciáticos praticarem seus rituais dentro do maior espírito de entrega e seriedade possível para propiciar a criação de verdadeiros Anjos da luz, veículos da vontade e aspiração dos seres Regenerados e Reintegrados ao nosso Divino Criador.

Notas:

1. O termo “Egrégoro” é citado originalmente no “Livro de Enoch”,  e foi difundido por Eliphas Levi, mas com uma interpretação equivocada de seu sentido original. Vide: Guenon e Sevananda.

2. Sobre esta interessante questão dos Gênios veja: “Lês genies dês grandes egrégores, dês planetes, dês peuples et dês sephirot” in Marcoutoune, op. cit, cap 5.

3. Reneé Guénon, embora não aceite ou trabalhe com o conceito de egrégora conforme exposto neste estudo, fala da força perniciosa das  chamadas  “influências errantes”, verdadeiros turbilhões que arrastam todos os incautos em sua esfera asfixiante e maléfica.

4. Vide: Cap XXVII (resíduos psíquicos) do “Reino da Quantidade”, onde Guenon explica a permanência de resíduos deletérios em túmulos, civilizações desaparecidas, lugares santos desvirtuados, e suas influências maléficas no presente.

5. Sevananda, op. cit., pág 79

Bibliografia:

* Portela, Hernani: Egrégoras, jornal diário de São Paulo (11/06/1961)
* Sevananda Swami: O Mestre Philippe de Lyon, vol III
* Marcoutoune, Sérgie: La Voie Iniciatique, la pratique de la Vie initiatique, Paris, Librairie Honoré Champion, 1956
* Guénon, René: Initiation et Réalisation Spirituelle, Paris, Edts Traditionnelles.


sábado, 15 de setembro de 2012

EMANAÇÃO - QUEDA - REGENERAÇÃO – REINTEGRAÇÃO

Por J. M. Mahou**

Antes do tempo, Deus, a causa primeira emanou espíritos que possuíam em si uma parte da dominação divina. Simbolizavam a essência de Deus e eram participes. Estes seres existiam no seio da divindade, mas sem distinção de ação, de pensamento e de entendimento particulares, somente poderiam agir ou sentir através da vontade única do Ser superior e infinito que os continham e no qual todos estariam em movimento; o que não seria verdadeiramente existir.

Estes seres livres seriam investidos de um culto fixado por leis, de preceitos e comandos eternos. Neles suas virtudes e potências seriam grandes, mas sua sublime origem lhe impunha de somente agir como causas segundas e devendo assim se satisfazer.

Eles observavam, portanto, o Eterno assim como um congênere e desejaram, por sua vez, emanar a seu turno e sendo único chefe, criaturas espirituais que dependessem deles-mesmos , e nos mesmos moldes, como eles dependem de Deus. Resolveram de operar em prejuízo das leis que o Eterno teria prescrito para limitar suas operações espirituais divinas.


Como punição por esta vontade criminal e antes que pudessem exercê-la eficazmente, os espíritos perversos foram precipitados em lugares de sujeição, de privação e de miséria.

Deste modo o Eterno criou o universo temporal para ser o lugar fixo onde estes espíritos perversos exerceriam em privação sua malícia. Onde, também, eles foram privados de toda comunicação com Deus.

O criador exerceu tão energicamente a força da lei contra os primeiros espíritos prevaricadores (do qual Caim retoma o tipo) que seu tormento consiste ser sujeito à operar o mal e de ser condenados a viver por uma eternidade temporal em suas iniqüidades sem poder mudar suas ações más e contrárias à ação divina.

Para dotar esta prisão com uma espécie de guardião, Deus emanou o “primeiro homem”, feito, à semelhança do criador. Este ser espiritual gozaria da comunicação integral e imediata de todo pensamento divino e demoníaco.

O primeiro homem, o Adão Kadmon ou celeste foi, portanto, emanado do criador e uma formidável potência espiritual divina lhe foi confiada e esta não poderia ser de outra forma porque este ser espiritual divino seria efetivamente em sua emanação um espírito puro (e sem macula) e deveria manifestar a glória, a justiça e a força do criador na criação universal, lugar de privação para os primeiros espíritos prevaricadores.

Esta seria a missão deste “Adão protótipo” e dele deveria sair uma posteridade toda espiritualizada de acordo com os preceitos do Criador.

O Adão Kadmon teria sido emanado livre e foi emancipado na imensidade supra-celeste para cumprir sua missão. Deus o deixou agir segundo seu livre arbítrio. Mas Adão foi seduzido pelo Demônio. Em vez de combater os primeiros espíritos perversos, de conte-los e de agir sobre sua vontade má e assim colocar fim ao mal, no lugar de todas estas nobres prerrogativas, Adão, homem glorioso, caiu e Deus o transforma em um ser semelhante àquele que ele havia produzido por sua única operação. Adão transgrediu as leis divinas, cedeu a sede egoísta da existência individual.

Cada um de nós segue este mesmo traço, experimentamos este mesmo desejo de separação. Porque cada vez que um espírito desce para se encarnar em uma forma qualquer, ele comete o pecado original e a queda de Adão se reproduz e se cumpri nele, ínfimo submúltiplo de Adão.

E é assim que o homem ou o menor como o chama Pasqually torna sujeito dos sujeitos que teriam sidos submetidos à sua potencia e à seu comando primitivo. Enfim, Deus o destina a terra como residência com todas as penas desencadeadas por uma semelhante excentricidade.

Esta queda, esta descida do mundo espiritual onde tudo estava em perfeito equilibro e em total harmonia, para as regiões temporais onde reina como mestre o espaço e o tempo, esta queda, lembrem-se meus Irmãos e Irmãs, vocês vivenciaram na sua iniciação ao 1º grau quando que, do centro do Pantáculo, potentes e formidáveis, fostes projetados para o exterior, passando por sete pontos, abandonando este estado de felicidade e o trono de vossa glória que Deus vos havias assinalado. Criado espírito de luz vós haveis contrariado a lei da unidade e caístes.......

O Adão celeste ou glorioso era revestido da dupla potência espiritual ou octenário e esta era tão considerável que malgrado sua prevaricação permaneceu ainda superior a todo outro ser espiritual, seja emanado, seja emancipado antes dele. Por sua queda, e por sua própria vontade, Adão perdeu esta dupla potência e foi reduzido à potência quaternária simples do menor. O menor, na terminologia de Pasqually, significa este espírito saído de Deus, este verbo fragmentário que reside no mais profundo de nosso ser.

O homem, cuja queda é em todo ponto semelhante àquela de Adão, possui nele também esta potência quaternária: potência da liberdade, do pensamento, da vontade e da ação.

Consecutivamente à queda do primeiro homem, numerosos espíritos foram emanados e emancipados nos diferentes mundos da criação universal e ficaram sujeitos à contribuir na reconciliação e na purificação dos menores.

Quando o homem toma consciência de sua degradação, quando se arrependendo, confessa seus erros, quando igualmente deseja com ardor se reconciliar com seu criador, a misericórdia divina o reporá em seu primeiro princípio, em seu primeiro grau de glória e lhe restituirá esta sublime lei divina que ele havia rejeitado ao se desviar.

Somente o homem não tem como obter do criador esta potencia sem trabalhos infinitos e sem sofrer o castigo do corpo, da alma e do espírito.

O homem deve sair de seu estado de inconsciência relativa para conquistar um estado de lucidez espiritual como outrora o povo de Israel teve de sair do Egito e se liberar de sua submissão e de seu estado de privação.

E assim como nós nos servimos de imagens emblemáticas, como não evocar o templo que Salomão construiu à glória de Deus e ver neste templo a imagem do Adão Glorioso, este ser universal que enquanto puro espírito seria o verdadeiro Tabernáculo da lei divina. Por outro lado, todas as proporções do templo, suas dimensões, os materiais utilizados não figuram e não simbolizariam eles, reproduzindo, as leis universais que governam e dirigem toda coisa e todo ser ?

Martinez precisa que é o coração do corpo do homem uma das quatro partes do Tabernáculo do menor corporificado. O coração é, portanto uma porta que dá acesso ao nosso espírito espiritual divino. E a chave? É o desejo espiritual.

A destruição do templo pelos Assírios quando Nabucodonosor era rei figura então a queda do homem espiritual, sua degradação e a perda de sua unidade consciente com Deus, desde então ele se distância das leis, preceitos e comandos Divinos.

Mais tarde, após sua saída do cativeiro, Zorobabel reconstruiu o templo sobre as ruínas do precedente, figurando a etapa que conduziu o homem de desejo, em fim liberto dos atrativos deste mundo, ao estado de novo homem. Esta etapa se cumpriu com os infinitos auxilios divinos, porque Deus somente deseja o bem para o Homem. É o caminho da reconstrução do homem verdadeiro, de sua reconciliação com os princípios espirituais e de sua regeneração.

Esta etapa é figurada pela segunda viagem do grau 1 quando o recipiendário, eis porque sua visão ainda não é “clara”, é guiado por uma mão segura. Mas ele é também sobretudo precedido pela luz símbolo do espírito duplamente forte. É este mesmo fogo sagrado que abrasou outrora o holocausto quando Neemias foi consagrar o templo reconstruído.

Por estas analogias vemos que o homem terrestre é na realidade um microcosmo no sentido mais estrito. Não viu ele, de alguma maneira, durante sua passagem sobre a terra, as mesmas provas, as mesmas alegrias, as mesmas situações que no passado o povo de Israel em todas suas tribulações?

Este longo périplo não seria também ilustrado magnificamente pela parábola do Filho Pródigo?

Segundo Pasqually, o homem efetua somente uma única passagem sobre a terra ao termo do qual ele ascende ao segundo nascimento e finalizará de operar sua ação temporal nos outros céus, isto é, no 3º círculo sensível, visual e racional da imensidão celeste. Depois será reintegrado no seu circulo quaternário da imensidade supraceleste e em fim, no momento da restauração do coração divino, se integrará definitivamente em Deus de onde outrora foi emanado.

Segundo este esquema, tudo conspira ao restabelecimento das leis divinas únicas, tudo converge para a indefinida unidade e isto foi o que Martinez traduziu pela Reintegração dos Seres em Suas Primitivas Propriedades, Virtudes e Potências Espirituais e Divinas.

“Assim, o mal se opõe momentaneamente à norma do bem para manifestar este na eternidade de seu triunfo. Deus não tolera o pecado original, esta inflação ao Bem negativo, que a titulo de gestação tenebrosa e transitória, de onde eclode o Bem positivo: É lá a redenção e a redenção resulta na Reintegração” ( Stanislas de Guaita).

Nossos Mestres Passados nos indicaram a Via; a luz de seu candelabro clareia nosso caminho por mais sofrido que seja este caminhar. Saint-Martin, em fim, em suas obras, nos propõe de ricas meditações e nos transmite eficazes meios de ação.

Cabe a nós trabalhar com ardor e zelo nesta grande Obra, de trabalhar sempre e sem descanso, o que, para todos Martinistas é um imperioso dever.

*** Retirado e traduzido "Bulletin de Liaison", No 14, páginas 16 à 25, 1991.

sábado, 17 de março de 2012

Queda - Regeneração - Reintegração

Por Brigitte Mahou*

O século XVIII foi, como sabemos, um século de profundas transformações, de questionamento dos antigos valores, da religião oficial e dos preconceitos, questionamentos devidos, entre outros, a descoberta de países inexplorados, ao desenvolvimento da pesquisa científica e ao triunfo da Razão.  Entretanto nesta chamada “Era da Luzes” um homem se distingue, Louis Claude de Saint-Martin, o “Filósofo Desconhecido”, com suas pesquisas espirituais de uma categoria elevadíssima, cujo espírito ultrapassa sua época e cuja obra atravessa os séculos veiculando sua mensagem universal.

Aquele que leu Le Tableau Naturel des Rapports Quí Exístent Entre Dieux, L’Homme et L’Univers”(1), por exemplo, entreve diante de si um horizonte insuspeito, compreende um pouco melhor o que o cerca e sobre tudo abre brecha para uma pesquisa ilimitada no tempo e no espaço.

Direcionarei meu estudo a esse Mestre Passado, caro aos Martinistas e a obra “O Quadro Natural”, que foi um dos trabalhos mais importante de Saint-Martin.

Em seu procedimento intelectual o “Filósofo Desconhecido” utiliza, como sabemos, a analogia, cujo apostolado básico determina: O que está em baixo deve ser interpretado pelo que está em cima e vice‑versa.

Abordarei somente o necessário sobre o problema da queda. Evocarei, sobretudo, o meio do homem reerguer‑se dessa queda, ou seja, de sua Regeneração.

Em que consiste a Regeneração para um Martinista? É o passo que segue a tomada de consciência (2) dessa famosa queda. É antes de tudo o Desejo, termo caro a Saint-Martin, de reconquistar o paraíso perdido. Este Desejo, sendo, verdadeiramente profundo e sincero, será o "motor" de nossa alquimia interior. Havendo, tomada de consciência, de nossa infeliz condição, seguida do desejo de mudança e retorno a fonte, começa a Regeneração, essa longa viagem de retorno ao pai.
       
No "Quadro Natural”, Saint-Martin evoca a desordem que provém do homem, as origens da queda; separadas, estas, pelo autor, entre Causa Superior e Causa Inferior. A Causa Inferior deixou de ser determinada pela lei da Causa Superior. A produção de Deus desejou ser como seu igual, desejou independência, então Deus deu o livre‑arbítrio aos homens, deixou a matéria acudir ela-mesma às suas necessidades, o que acarretou a desordem. A união com Deus estava rompida, é necessário renová-la.

O princípio divino não contribui para o mal que pode nascer entre suas produções, pois o homem possui o livre‑arbítrio. A consideração dessa conclusão é que o mal vêm do homem.

"Para que o mal possa se perceber (comenta o “Filósofo Desconhecido”), seria necessário que ele fosse verdadeiro e então cessaria de ser o mal. Tendo em vista que a verdade e o bem são a mesma coisa. Portanto compreender é perceber a ligação de um objeto com a ordem e a harmonia cuja regra possuímos em nós mesmos”

Uma das conseqüências desta queda é que, com a continuação da incorporação material do homem, o sensível tomou o lugar do intelectual e o intelectual do sensível.

Mas, se o homem caiu, ou seja, perdeu seus magníficos privilégios, ele possui em si o germe e todas as virtudes que possibilitam o seu desenvolvimento, se estas são sua vontade e seu desejo.

Neste caso o “Filósofo Desconhecido” evoca as ferramentas que Deus colocou à disposição dos homens para acelerar a sua reabilitação.
        
Segundo a bela imagem de Saint-Martin, o homem carrega consigo um germe invencível cuja existência permite esperar "frutos análogos à sua própria essência, como quando nós semeamos germes vegetativos, obtemos frutos análogos aos princípios de onde eles saíram”.

Percebamos, queridos Irmãos, que esse germe é muito precioso e que nos compete cultiva-lo ou deixá-lo morrer. Nossa responsabilidade é imensa.

Mas, nós somos ajudados em nossa tarefa, porque Deus coloca continuamente sobre a rota do homem imagens destinadas a estimular e abrir‑lhes os olhos. Deus age pela lei universal da Reação, precisa Saint-Martin.

 O que devemos, entender com isto? Desde que nos desviamos de nossa via e empreendemos o caminho do erro, um acontecimento, uma circunstancia inesperada, uma presença humana surge diante de nós a fim de permitir nossa reação; é um signo que o criador coloca em nossa porta para ajudar em nossa recuperação.

Nos resta, portanto, saber interpretar favoravelmente esse signo e, de orar, porque a prece conduz ao discernimento e somente ela clareia, de uma maneira justa, nossa consciência.

Jamais escapamos ao olhar de Deus. Eis o que diz Saint-Martin :"A 1uz intelectual é sempre presente. Quando nos aproximamos ela nos aquece, conhecemos sua existência. Quando fechamos os olhos à sua claridade, deixamos de perceber essa luz, mas estamos permanentemente sob a exterioridade da grande Luz e não podemos jamais estarmos   inacessíveis ao olho do Ser Universal.”
 
Um dos auxílios importantes, para Saint-Martin, é a natureza, a natureza que ensina ao homem que sabe escutar, a natureza que é um verdadeiro instrumento de Deus: "A existência de todos os seres da natureza tem como finalidade maior temperar os maus e as desordens”.
            
O homem deve, portanto, unir suas forças àquelas que lhe são exterior; recolhendo todas as virtudes de todos os reinos terrestres.

 Podemos, portanto, emitir a idéia de que tudo o que nos cerca deve nos servir de ensinamento. Não compreendemos melhor, agora, os sofrimentos atuais do homem moderno que não sabe mais ler o "Grande livro da natureza”, para quem esta natureza tornou-se estranha, tendo como única função seus recursos e cujo único objetivo é ser explorada até o esgotamento e aniquilamento?
      
Como também não pensar nos auxílios de nossos Mestres Passados cuja Luminária é o símbolo em nosso templo Martinista, assim como do “Mestre Desconhecido” perpetuamente presente no Ocidente. Saint-Martin afirma, por sua parte, a necessidade surgida entre os homens de Seres Depositários das virtudes primeiras perdidas pelo homem, e também da necessidade destes Agentes completarem sua destinação por atos sensíveis e terem um culto sobre a terra, um culto verdadeiro tendo unicamente como finalidade o restabelecimento da harmonia entre Deus, o Homem e o Universo.

O “Filósofo Desconhecido” nos revela igualmente que o homem possui em si signos viventes de todos os mundos e de todos os universos e a quantidade de faculdades do Princípio Divino.

Mas para desenvolver esses dons e essas virtudes uma condição é indispensável: a obediência a Deus.

Saint-Martin afirma: “ Se não fosse a mão da Sabedoria que cultiva sua própria semente e   reativa o germe sagrado colocado por ela-mesma em nós, em vão pretenderíamos produzir frutos análogos à arvore que nos engendrou.”

O que parece essencial com relação à Regeneração do homem nesta obra, é o convite feito pelo autor à ação, porque a ação, como afirma "é o germe essencial à reabilitação do homem".

Ação em conformidade, naturalmente, com os preceitos divinos, confirmada por esta idéia do autor:  "O homem simples que segue com fidelidade e confiança os preceitos do Agente Universal é aquele que pode pretender entrar no Conselho da Paz. ".
 
Eis sucintamente o que esta obra de uma densidade, de uma riqueza e de uma profundidade pouco comum pode inspirar à minha reflexão sobre este tema que preocupa cada Martinista ao longo de todas as etapas de seu caminho na via iniciática que ele decidiu um dia percorrer e que lhe conduzirá à Reintegração, à Harmonia Universal, à Unidade de onde somos todos originários, iniciados ou não.

Notas:

(1) Saint-Martin, Louis Claude: “O Quadro Natural das Relações que Existem entre Deus, o Homem e o Universo”.

(2) Ao contrário do diz a autora, este momento anterior à ação firme no sentido da conquista da Regeneração é chamado pelos Martinistas de Reconciliação (N. do T).

*** Retirado do  boletim “O Filósofo Desconhecido” , N 1 – 2006, OM&S .